IPE DE PORTAS FECHADAS EM SÃO GABRIEL POR FALTA DE FUNCIONÁRIO.

IPE

Maria de Fátima pagou R$ 80,00 por certidão autenticada em Uruguaiana. O documento tem validade de 30 dias e tem que ser entregue no escritório do IPE de São Gabriel para evitar que o benefício seja suspenso. O prazo está terminando. Ela terá que pagar mais R$ 80,00 por novo documento. Além disso, ela também não consegue consultar, tanto em São Gabriel quanto em outras cidades

Com 1 milhão de usuários e 8,9 mil médicos e estabelecimentos credenciados, o Instituto de Previdência do Estado (IPE) é o mais abrangente plano de saúde gaúcho. Tamanho gigantismo resulta em problemas de igual proporção. Enquanto pacientes reclamam de cobranças ilegais, demora na marcação de consultas e exames, escassez de especialistas e recusa na autorização de procedimentos, o instituto contabiliza prejuízos sucessivos e descontrole administrativo-financeiro.

O atual panorama demonstra que o plano, que propicia assistência médica e hospitalar a 10% da população do Estado, está a caminho do colapso.

Em 2015, o Fundo de Assistência à Saúde, que custeia todas as operações médico-hospitalares do IPE, registrou déficit de R$ 107,3 milhões. Só nos primeiros cinco meses de 2016, o prejuízo era de R$ 27,3 milhões. Projeções feitas por auditores do Tribunal de Contas do Estado (TCE) apontam para perda crescente, chegando a R$ 879 milhões em 2023.

Conforme o relatório do TCE, esse descompasso encaminha “para uma situação de insustentabilidade, com resultados que inviabilizarão o IPE-Saúde”.O desequilíbrio econômico tem várias causas. A maior é o crescimento exponencial dos gastos. De 2004 a 2014, as despesas dobraram, enquanto o volume de contribuições subiu 40%. Do universo de 1 milhão de usuários (dados de 2016), 408 mil são dependentes, portanto não pagam mensalidade.

O aumento da idade média dos segurados eleva o valor dos dispêndios, e a permissão para desligamento voluntário faz com que servidores mais jovens e com salários mais altos deixem de repassar a cota de 3,1%. Ou seja, quem precisa de mais serviços médicos paga barato em relação aos planos similares – em contrapartida, quem prescinde de assistência e deveria contribuir com valor maior não se associa.

PEDIDO É PARA DENUNCIAR MÉDICOS QUE COBRAM POR FORA

Embora insatisfeitos, os médicos não têm se descredenciado do IPE. Continuam vinculados ao plano, mas cobram por fora ou deixam de atender primeiras consultas. Os que pedem desligamento muitas vezes credenciam os médicos-auxiliares, conforme revela reportagem do jornal Zero Hora, publicada no ano passado. Essa vinculação é estratégica porque permite aos pacientes fazerem exames e custear eventuais internações pelo plano.

No IPE, essa situação é vista como antiética. A direção pede que os segurados denunciem os médicos que cobram por fora para poder providenciar o descredenciamento dos profissionais, mas, na maioria dos casos, os pacientes têm medo de ficar sem atendimento.Além de enfrentar os males da doença, muitos segurados do IPE convivem com drama de consciência: denunciar as cobranças ilegais feitas pelos médicos e ter de procurar outro profissional ou seguir o tratamento com o especialista de confiança, mesmo tendo que pagar por fora para ser atendido.

Em São Gabriel, um caso denunciado em 2016 chama a atenção. A paciente acessa o site do IPE antes de pedir uma consulta, conforme os registros do portal, fica sabendo dos horários disponíveis. Contudo, quando telefona para agendar atendimento, as secretárias afirmam que a cota mensal já se esgotou. Na prática, o site do IPE funciona muito bem. O que não funciona é o atendimento do médico.

Na época, a denúncia de cobrança ilegal foi feita ao escritório do IPE em São Gabriel. Os servidores pediram que ela remetesse a denúncia à Ouvidoria. Com medo de represálias, o caso não foi levado adiante.

A SITUAÇÃO PIOROU

Hoje, o escritório do IPE está fechado há mais de 30 dias. Apenas uma funcionária, cedida pela Prefeitura Municipal, trabalha no local. Depois que saiu em férias, a profissional pediu para não retornar para o setor. A alegação é que há destrato das chefias em Porto Alegre.

Quem perde com isso é a população. Inúmeras pessoas estão sem conseguir atendimento, que já era precário e agora atingiu um ápice de revolta, levando pacientes, como a dona Maria de Fátima Coelho Louzada, de 60 anos, a denunciar o descaso.

Desde o ano passado ela vem tentando fazer o recadastro do seu benefício no escritório, mas como a sede local está fechada, ela acabou perdendo o “direito” de, pelo menos, tentar obter consultas pelo IPE, na cidade ou em outros municípios. “Eu passo o cartão, mas ele aparece como inválido. Isso vai permanecer assim, até que seja feito o recadastro. O problema é que estou assim há mais de 30 dias e sou uma pessoa com pressão alta, preciso ter garantias de que, se precisar de atendimento, vou tê-lo”, argumentou.

O QUE DIZ A PREFEITURA

O Secretário de Administração, advogado Valdemir Tita Jobim, admite que existe o problema, mas garantiu que a Prefeitura está providenciando a indicação de um novo servidor para o IPE. Segundo ele, esse processo deve levar cerca de 10 dias, pois o profissional deve passar por um período de capacitação.O IPE é uma questão de Estado. A Prefeitura, neste caso, cede um funcionário para que o serviço permaneça em São Gabriel, evitando que o escritório feche definitivamente.

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Vereador Rossano com o presidente do IPE, Otomar Vivian

MOBILIZAÇÃO EM PORTO ALEGRE

Dois vereadores tratam da questão IPE em Porto Alegre.Na semana passada, o Presidente do Poder Legislativo, vereador Vagner Aloy (Maninho), do PSDB, através do Gabinete do Deputado Lucas Redecker, entrou em contato com a assessoria da Presidência do IPE. “Fomos informados que o escritório de São Gabriel conta com duas servidoras e que estão em processo de aposentadoria e transferência.

No início da próxima semana será informada a situação futura da agência no Município. Atualmente as duas estão em férias. A solução é um convênio dos entes envolvidos, para dar continuidade aos trabalhos e continuar atendendo a população”, disse Maninho.

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Vereador Maninho apresentou reivindicação

O Vereador Rossano Farias, do PSB, participou de reunião com o Presidente do IPE, Otomar Vivian, na manhã desta quarta-feira (07/02). “Coloquei o presidente a par desta situação que está causando transtornos aos usuário do IPE em São Gabriel. Ele nos garantiu seu empenho pessoal para que a agência dê continuidade aos trabalhos e permaneça atendendo a população gabrielense. Agora será dada continuidade as negociações para a firmação de um convênio entre o Estado e o Município”, disse Rossano.

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GOVERNADOR SANCIONA LEI PARA A CRIAÇÃO DE CADASTRO DE PEDÓFILOS.

Cadastro Estadual Proteção da Infância e Juventude no RS

Foi sancionado, na manhã de hoje, o Projeto de Lei 16/2016, que determina a criação do Cadastro Estadual de Informações para Proteção da Infância e da Juventude no Rio Grande do Sul. A decisão foi tomada depois de o governo divulgar que, até outubro de 2017, o número de denúncias de estupro de crianças e adolescentes no Estado alcançou 2,3 mil casos. Além disso, dados do Disque 100 mostram que 90% das vítimas de pedofilia são abusadas por parentes ou por alguém que tenha algum tipo de ligação com os familiares da vítima. E, para piorar ainda mais esse cenário, estatísticas mundiais apontam que apenas 10% dos casos são notificados.
O governador José Ivo Sartori sancionou o projeto, de autoria do deputado Maurício Dziedricki, no Palácio Piratini. A proposta foi aprovada por unanimidade no dia 5 de dezembro de 2017, na Assembleia Legislativa. Segundo o cadastro, a lei vai possibilitar um ponto de partida para as investigações policiais e facilitará o monitoramento dos criminosos, já que há uma dificuldade na apuração desses crimes devido ao silêncio de algumas das vítimas.
“Não é com alegria que sanciono esta lei, uma vez que ela trata de uma enorme crueldade. Mas é com a sensação de dever cumprido, porque, a partir da sua implantação, temos a perspectiva de tentar diminuir esse crime tão perverso. Quero saudar o deputado Maurício Dziedricki pelo empenho na criação desse cadastro, já que muitos pedófilos cumprem penas diferentes da prisão fechada, como a reabilitação, e não há um controle geral desses criminosos”, ressaltou o governador.
O acesso ao cadastro de pedófilos deve ser feito pelo site da Secretaria da Segurança Pública (SSP) e permitirá que membros do Ministério Público, do Judiciário, da Polícia Civil e da Brigada Militar, além de pessoas envolvidas com a defesa dos direitos das crianças, como conselheiros tutelares e secretários de Assistência Social, possam agir de maneira mais efetiva e com medidas protetivas.
O Rio Grande do Sul é o quarto estado a ter um cadastro desse tipo. Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e São Paulo já têm esse controle.
*Com informações do site do Governo do Rio Grande do Sul.

MOBILIZAÇÃO INICIADA EM SÃO GABRIEL CONQUISTA RESULTADOS POSITIVOS EM BRASÍLIA.

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A mobilização iniciada em São Gabriel no dia 17 de janeiro contra o endividamento do setor rural e a concorrência desleal do arroz paraguaio e de outros países do Cone Sul com o produto nacional, conquistou nesta semana resultados concretos na Capital Federal. A notícia é do presidente do Sindicato Rural de São Gabriel e vice-presidente da Farsul, Tarso Teixeira.
No dia 17 de janeiro, produtores rurais e arrozeiros de diversos municípios da Campanha Central se reuniram em São Gabriel, sob iniciativa do Sindicato Rural de São Gabriel e a Associação dos Arrozeiros, com a presença do deputado federal Jerônimo Goergen (Progressistas/RS), autor do PL 3487/2012, que proíbe a comercialização de produtos agrícolas importados sem a devida análise química e fitossanitária. “O grande problema do arroz que vem do Paraguai e outros países, é que ele entra no mercado brasileiro a um preço melhor que o nacional, justamente por não se submeter aos mesmos padrões fitossanitários do nosso produto. Não queremos barreiras comerciais, mas queremos garantir que o produto que chega de fora passe pelas mesmas condições exigidas do arroz nacional”, destacou Tarso Teixeira.
Após a mobilização, Tarso Teixeira e outros líderes rurais da região reuniram-se com o ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência da República, deputado federal Carlos Marun (MDB/MS), que ficou de examinar com a Receita Federal, o fim das autuações por conta do Funrural e a dilatação de prazo, até que o STF decida definitivamente sobre o tema. Agora, o presidente da Câmara dos Deputados, deputado federal Rodrigo Maia (DEM/RJ), autorizou a criação de uma Comissão Externa do Endividamento Agrícola, para debater soluções para o setor produtivo, e marcou para março a votação do PL 3487/2012. “Esta é uma importante vitória da mobilização dos produtores. O passo dado em São Gabriel foi extremamente importante para conquistarmos a criação da Comissão Externa e para pautar o projeto para votação. Devemos permanecer mobilizados”, destacou o deputado Jerônimo Goergen (foto).

LULA LIDERA E BATE TODOS OS CANDIDATOS NO 2º TURNO APONTA PESQUISA DATAFOLHA.

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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva continua liderando a corrida eleitoral à presidência da República, com intenções de votos entre 34% e 37% no primeiro turno, e segue vencendo todos os demais candidatos, no segundo turno. Os números são da pesquisa Datafolha, realizada entre os dias 29 e 30 de janeiro e divulgadas nesta quarta-feira (31) pelo jornal Folha de S.Paulo. É a primeira sondagem feita após a confirmação pelo TRF4 da condenação de Lula no processo do chamado tríplex do Guarujá, que pode levar ao impedimento de sua candidatura.
Em segundo lugar, aparece o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC), que tem entre 16% e 18% das intenções de voto – a depender da lista de concorrentes –, seguido pela ex-senadora Marina Silva (Rede), que registra de 8% a 10% dos votos, e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), com 7%. Ciro Gomes (PDT) oscila entre 6% e 7%.
O apresentador Luciano Huck aparece com 6%. Já o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa aparece com 5%. O senador Alvaro Dias (Podemos) marca de 3% a 6%, e a deputada Manuela D’Ávila oscila de 1% a 3%.
Em eventual disputa no segundo turno contra o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), Lula registra 49% das intenções de votos, contra 30% do tucano. Ele também bate a ex-senadora Marina Silva (Rede), por 47% a 32%, e vence também Bolsonaro (PSC), por 49% a 32%.
Em relação ao último levantamento realizada pelo mesmo instituto, em finais de novembro passado, o ex-presidente Lula oscilou negativamente, mas dentro da margem de erro da pesquisa, que é de 2 pontos percentuais, mesmo após a sua condenação pelo Tribunal Regional Federal da 4ª. Região (TRF4) por corrupção passiva, na semana passada.

Transferência de votos

A potencial de transferência de votos do ex-presidente Lula também oscilou dentro da margem de erro. Em novembro, o apoio de Lula a outro candidato seria fator determinante para 29%. Agora, são 27% que votariam em candidato apoiado por Lula. Ou sejam se Lula for impedido de se candidatar, a candidatura indicada por ela passa a liderar. Não votariam em indicado por Lula 53% do eleitorado.
Em contraposição, eventual candidato indicado pelo juiz Sérgio Moro contaria com o apoio de 25% do eleitorado, e metade do eleitorado rejeitaria um nome indicado por ele.
Para o diretor do Datafolha, Mauro Paulino, a pesquisa é histórica. “A possível inelegibilidade do ex-presidente aprofunda a crise de representação no cenário político e lança ainda mais incertezas sobre o pleito deste ano e seus desdobramentos. Em nenhum outro levantamento de intenção de voto para presidente já feito pelo instituto em ano eleitoral observou-se uma taxa tão elevada de brasileiros com a pretensão de votar em branco ou anular o voto. É o que acontece quando se exclui o nome de Lula da disputa”, escreve Paulino.
Ainda se a candidatura de Lula for barrada, as sondagens indicam que abaixo do nome indicado por Lula aparecem Bolsonaro, Marina, Ciro Gomes e Alckmin.

Rejeição

O presidente Michel Temer (PMDB) lidera o índice de rejeição, com 60% segundo o Datafolha, seguido pelo ex-presidente Fernando Collor (PTC), com 44%. Logo abaixo, aparecem Lula (40%), Bolsonaro (29%), Alckmin (26%) e Huck (26%) entre os nomes rejeitados, de acordo com o instituto.

SEM QUÓRUM, SESSÃO QUE VOTARIA REGIME DE RECUPERAÇÃO FISCAL É ENCERRADA.

SESSÃO LEGISLATIVA

No primeiro round entre oposição, contrária à adesão do Rio Grande do Sul ao regime de recuperação fiscal proposto pela União, e governo do Estado, deu oposição. A sessão extraordinária desta segunda-feira foi encerrada por falta de quórum. Com 26 presentes, o presidente da Casa, deputado Edegar Pretto (PT), encerrou os trabalhos. São exigidos no mínimo 28 parlamentares para o início dos trabalhos.
Do lado de fora do prédio da Assembleia, servidores que protestam contra o pacote, já que prevê a privatização de estatais, comemoraram o encerramento.
Na tribuna, o deputado Enio Bacci disse que a adesão vai proibir, por seis anos, a criação de novas vagas na Brigada Militar. Pedro Ruas declarou que o patrimônio público não pode ser vendido. O parlamentar da base, Vilmar Zanchin defendeu e manifestou posição da bancada do PMDB favorável a aprovação do PL que autoriza o RS a aderir ao regime de recuperação fiscal e as PECs que retiram da Constituição do Estado a exigência de plebiscito para federalizar ou privatizar Sulgás, CRM e CEEE.
Sartori convocou sessão para segunda, terça e quarta-feira. O regime extraordinário permite que as três propostas que tramitam na Assembleia – uma para cada estatal – sejam apreciadas em sequência pelo plenário. “Esta será a chance do governo aprovar sua três propostas em primeiro turno e encaminhá-las para votação em segundo turno a partir de fevereiro”, ressalta um servidor da área técnica da Assembleia.
A adesão ao regime de recuperação fiscal prevê a suspensão do pagamento das parcelas da dívida do Estado com a União pelo prazo de até 36 meses, prorrogável por igual período. De acordo com a projeção da Secretaria da Fazenda, a renegociação representa alívio financeiro de R$ 11,3 bilhões até 2020, além de permitir ao Estado a contratação de novos empréstimos, dentro e fora do Brasil.

LULA É CONDENADO POR UNANIMIDADE A MAIS DE 12 ANOS DE PRISÃO POR CORRUPÇÃO.

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Por unanimidade, os três desembargadores da 8ª Turma do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) condenaram, nesta quarta-feira (24/01), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a 12 anos e um mês de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. O fato de ele ter sido condenado não significa que ele será preso imediatamente.
A pena é maior do que a imposta pelo juiz Sérgio Moro na primeira instância, que havia sido de nove anos e seis meses de prisão.
Para Lula, agora, só cabem embargos de declaração, recurso para correções e ajustes no acórdão, antes de levar o processo para o STJ (Supremo Tribunal de Justiça).
Coma decisão da Turma, o petista, líder em todas as pesquisas de intenção de voto, cai na Lei da Ficha Limpa e pode ser impedido de disputar a eleição presidencial, marcada para 7 de outubro. Lula dependerá de recursos na Justiça para conseguir concorrer.
Terceiro e último da Turma a votar, o desembargador Victor Laus seguiu o entendimento de seus colegas, o relator, João Pedro Gebran Neto, e o revisos e presidente da Turma, Leandro Paulsen.

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Gabrielenses participaram de atos de apoio a Lula realizados em Porto Alegre

MOBILIZAÇÃO PELO BRASIL
O dia em que o recurso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi julgado pela 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), em Porto Alegre, pessoas contrárias e favoráveis ao ex-presidente se manifestaram em várias cidades do País. Integrantes de movimentos sociais, sindicalistas e simpatizantes do ex-presidente bloquearam na manhã de ontem a avenida que dá acesso ao Aeroporto Internacional Deputado Luís Eduardo Magalhães, em Salvador. A Polícia Militar intensificou o policiamento ostensivo a fim de evitar conflitos.
Muitos passageiros tiveram que seguir a pé até o aeroporto para não perder seus voos. Após liberarem o acesso ao aeroporto, os manifestantes seguiram em caminhada até a Câmara Municipal de Lauro de Freitas, onde de acordo com a PM, o ato foi encerrado.
Pouco após as 10h30, a TranSalvador registrava o início de um segundo bloqueio, desta vez na Avenida Sete de Setembro, próximo à Praça da Piedade, na região central.
Em Porto Alegre, a Brigada Militar abordou uma embarcação nas águas do Rio Guaíba. O barco estava no perímetro delimitado pelas autoridades para o acompanhamento de movimentos sociais que defendem o ex-presidente. Dentro barco, foi inflado um boneco anti-Lula por manifestantes que pedem a prisão do ex-presidente. Segundo a Brigada Militar, o barco estava com a documentação em dia. Mesmo assim, foi retirado do local e o boneco inflável removido.
Desde terça(23), atos de apoio ao ex-presidente foram registrados em várias cidades pernambucanas, como Petrolina, Garanhuns e Caruaru. Segundo a Polícia Militar, não houve registros de confusões. No Recife, integrantes da Frente Brasil Popular, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e de outros movimentos sociais se reuniram na Praça Tiradentes, onde acompanharam a transmissão do julgamento do recurso por meio de um telão instalado no local.

 

PIMENTA AFIRMA PARA O JORNAL DIÁRIO DE SANTA MARIA: “LULA NÃO SERÁ CONDENADO”.

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Escolhido pelo PT para ser líder do partido na Câmara dos Deputados em 2018, Paulo Pimenta fala sobre as obras da Travessia Urbana, a votação da reforma da Previdência, prevista para 19 de fevereiro, e sobre seu trabalho como parlamentar. O único deputado federal santa-mariense também falou das campanhas eleitorais com novas regras de financiamento e fez uma avaliação sobre o governo do prefeito Jorge Pozzobom (PSDB). E, claro, abordou o julgamento do recurso de Lula, nesta quarta-feira, pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), ele que é um dos deputados mais ferrenhos e combativos na defesa do ex-presidente. Confira os principais trechos da entrevista concedida ao Diário de Santa Maria.
01.O senhor tem vindo menos a Santa Maria e se envolvido mais com os temas nacionais do PT, participou da caravana de Lula no Nordeste e virou líder do partido na Câmara dos Deputados. O que o levou a essa mudança?
Paulo Pimenta – Não é questão de mudança de estratégia. Temos um trabalho consolidado aqui (Santa Maria), que é administrado cotidianamente. As novas tecnologias mudaram a maneira das pessoas trabalharem. Hoje, você pode fazer as coisas por WhatsApp. Minha presença em questões nacionais me dá muito mais respaldo. Eu acho que a cidade ganha quando tem um deputado que tem condições de tratar de temas nacionais, e com isso, fortalece a pauta local. Se eu fosse um deputado com um mandato paroquial, eu teria muito menos possibilidade de ajudar a cidade. Três anos atrás, quando eu tinha uma reunião presencial, eu teria que vir aqui.

02.Quais suas pretensões daqui para a frente? Concorrerá à reeleição?
Pimenta – Sou uma pessoa de poucas pretensões. A principio, vou ser candidato a deputado federal. Tem muita coisa em andamento, como líder da bancada. O Lula virá a Santa Maria. Será que ele viria para Santa Maria se eu não fosse líder na Câmara? Ainda tem uma reunião (definição de data), em São Paulo, mas ele virá a Santa Maria.

03. O senhor acredita que, em 2018, as eleições em geral não terão mais caixa 2?
Pimenta – Eu acho que a regra aprovada exclui qualquer tipo de financiamento paralelo ao financiamento privado. Acho que a mudança devia ter sido feita de forma mais intensa. Mas é um avanço significativo, tanto para nós que fazemos campanha, como para os setores empresariais, que se sentiam em um dilema em ajudar os candidatos. Sempre foi um drama para todo mundo. Tentamos estabelecer um limite menor para as campanhas, um teto, a redução do financiamento. No nosso ponto de vista, ainda é preciso avançar muito. As novas tecnologias nos permitem fazer campanhas muito mais baratas. Antigamente, para as pessoas saberem o que penso, eu precisaria de um espaço de jornal, muito restrito. Hoje em dia, tenho condição de fazer isso com um custo mais baixo.

04. O senhor acha que a reforma da Previdência será votada e aprovada neste ano?
Pimenta – Qual é o grande problema dessa reforma? Ela não trata dos grandes problemas da Previdência. Ninguém é irracional ao ponto de não saber da necessidade do país de fazer um profundo processo de discussão sobre a estrutura previdenciária. No entanto, não é possível que se tenha uma reforma que trate somente de um percentual, que envolve uma parcela significativa da população, mas, que em termos de dinheiro, são exatamente aquelas pessoas que hoje estão mais penalizadas. Tem contracheques no serviço público com R$ 500 mil, R$ 600 mil. Vai mudar algo na reforma para essas pessoas? Nada. Será que é possível fazer um debate sério na sociedade, para encontrar um equilíbrio fiscal, sem que trate também dessas questões?

05. Mas o senhor acha que vai ser aprovada?
Pimenta – Eu acho que não. Se não mexermos nessa questão dos privilégios, ninguém na sociedade vai ter disposição de apertar o cinto. Para ganharmos a sociedade para uma cultura de ajustes, tem que começar pelo andar de cima.

06. Qual a sua expectativa sobre o julgamento de Lula na quarta-feira? O PT não trabalha com plano B para candidato a presidente?
Pimenta – A expectativa é que ele vai ser absolvido. O presidente Lula vai ser absolvido, e por razões simples. Os três desembargadores têm formação acadêmica, são professores, são três pessoas que tiveram uma solidez jurídica baseada em uma doutrina, que é majoritária no Brasil. A prova é o elemento central do processo, a prova é o elemento que fundamenta a decisão do juiz. Não há prova, não há crime. O presidente Lula nunca entrou nesse tríplex, parece que foi uma vez visitar. Semana passada, foi penhorado. A juíza, de Brasília, determinou que ele (o tríplex) fosse dado como pagamento. O que a juíza disse? O que vale é a escritura. E está em nome da OAS. A inscrição do Lula como candidato, no dia 15 de agosto, independe daquilo que será decidido no TRF4.

07 – O ex-presidente não cometeu crime?
Pimenta – Acho que não cometeu. Nós entendemos que o ex-presidente Lula é inocente. Esse entendimento é corroborado por centenas de pareceres de juristas do Brasil e do mundo.

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