Opinião

DR. GERSON BARRETO

A SAUDADE – Meu pai Sírio Bianchetti de Oliveira tinha grande apreço pela memória dos seus professores, no Colégio Auxiliadora de Bagé.
Dois ele sempre citava, o Prof. Peri Coronel e seu irmão Prof. Jango. Uma família que daria à cidade seu último grande cavalheiro ainda vivo, o cidadão do mundo, mas sempre bageense, poeta e publicitário Luiz Coronel. Tenho um dos seus livros autografados, o elegante e mesmo assim gauchesco “ Buçal de Prata“.
A referência elogiosa aos mestres era mesclada no saudosismo por uma época já remota enquanto meu pai fora aluno daquele colégio, e volta e meia ele recitava um poema do Peri:
“Saudade é uma dor que dá, mas não é dor de doer. É vontade de lembrar. É vontade de esquecer. Saudade é uma dor que machuca. Mas onde é não se vê. Que a gente pega e cutuca, para não deixar de doer”.
Segundo o que o pai recordava, este poema foi feito após um retorno do antigo professor ao lar da sua infância no interior rural. Ao se deparar com a antiga propriedade transformada em tapera ele teria suspirado de saudade e saíra num repente as lindas palavras.
E na estrada da vida era o momento já na velhice de meu pai suspirar de saudade pela casa que ele morou com minha mãe, no interior de Dom Pedrito. Uma casa secular, modesta, mas que havia se transformado em puro afeto para todos da família.
E lá vinha o poema novamente ser recitado, mal escondendo a lágrima que já se formava no canto do olho.
Lugares por vezes são também personagens familiares, e sua ausência muito sentida. A falta do banho do arroio, tocar as vacas para a mangueira, tirar o leite, levar os baldes cheios para minha mãe transformar em queijo era uma rotina que ele se esbaldava, pois na época ainda estava muito ativo, aproveitando aquela vida bucólica.
Havia uma camionete azul Chevrolet, pela pouca velocidade que conseguia imprimir ganhou o apelido de “ Maclaren “, para ressaltar ainda mais o quão lenta a vida poderia ser.
Mas os problemas de saúde começaram a pipocar e insisti com veemência que ficassem na cidade, e tudo foi sendo rápido, e decidi que teriam era que vir para São Gabriel, onde poderiam ver os netos crescerem e eu estaria sempre por perto.
Já morando nesta cidade, doente, num repente para distraí-lo eu propus, “ vamos melhorar para poder visitar o Cunhatay”. Com olhar desconsolado me fitou e falou: “Saudade é uma dor que dá…”
Me calei. Meu pai se foi aos pouquinhos, no ritmo da velha Maclaren. Minha mãe não, indômita que era foi numa velocidade surpreendente, sem dizer um ai, nem um adeus, partiu sem dor.
E fiquei eu com o poema do Peri Coronel na cabeça. Com uma saudade do tamanho de um trem, e sem querer voltar ao lugar da infância de toda a nossa família. Porque:
“Saudade é uma dor que machuca, mas onde é não se vê”.

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OPINIÃO: “O BRASIL QUE EU QUERO?”

Desde março deste ano, vem sendo exibida na TV uma série intitulada “O Brasil que eu quero”, uma interessante oportunidade para que os brasileiros expressem o que desejam para o país nestas eleições. Invariavelmente, os vídeos exibidos giram em torno das mesmas aspirações: mais educação, mais saúde, menos corrupção, um país com mais decência e menos políticos corruptos. Desejos legítimos, mas que precisam passar pela análise necessária sobre a coerência entre nosso discurso, como povo, e nossa prática cotidiana.
Não existe uma corrupção dos políticos, separada da corrupção dos outros seres humanos. Políticos não são extraterrestres. São pessoas eleitas por outras pessoas para a missão de administrar a “polis”, a comunidade, e seus eventuais vícios e virtudes são, em certa medida, reflexo de hábitos da sociedade que os elege.
Todos querem educação de qualidade, mas muitas famílias não se importam em matricular os filhos na escola na idade certa, obrigando o Poder Público a realizar busca ativa. Todos querem Saúde digna, mas alguns procuram o agente político para “furar a fila” do atendimento ou do procedimento médico, não levam seus filhos e idosos às campanhas de vacinação, e quando fazem um exame custeado pela rede pública, muitas vezes não vão sequer buscar o resultado. Todos reclamam da segurança, mas alguns, em segredo, consomem a droga que financia a violência e a morte de nossos jovens. Todos querem moralidade na gestão pública, mas vão ao político pedir um “jeitinho” para fazê-lo passar na prova de habilitação de motorista, ou ainda, burlar a ordem de classificação para nomeação em concurso público. Todos querem a proteção do meio ambiente, mas continuam colocando lixo fora dos horários de recolhimento e dos locais apropriados. Todos querem um trânsito mais seguro e melhores rodovias, mas já vi gente se orgulhar de conseguir burlar o pedágio. Em resumo, todos querem mudança, mas poucos querem mudar.
Estamos sempre esperando que outros mudem o país por nós: uns pedem intervenção militar, outros querem o ativismo do Judiciário e do Ministério Público, atrofiando o equilíbrio dos demais Poderes, e outros ainda vão atrás dos “Salvadores” da vez, os ditos “não-políticos” – muitos deles, estranhamente, com décadas de vida partidária.
É fácil transferir responsabilidades, tão fácil quanto ilusório. A política é a gestão da sociedade, e para mudar a política, as pessoas precisam mudar. Deixar de recorrer aos atalhos, evitar a compra da peça de carro proveniente do roubo, da carne que vem do abigeato, do produto pirata. Um país não é democrático somente quando os direitos são para todos, mas especialmente quando as leis, as normas que são base de qualquer civilização, são por todos respeitadas e cumpridas.
Nossa democracia é imperfeita justamente porque ela é a soma de nossas imperfeições. Quando a sociedade se civilizar e se educar moralmente para a vida pública, teremos políticos melhores, porque teremos cidadãos melhores.
Este é o Brasil que eu quero. E você?

Rossano Dotto Gonçalves – Prefeito de São Gabriel

Opinião

DR. GERSON BARRETO

O SOM DOS CRISTAIS.
Falar mal de Hitler hoje é fácil, ele perdeu a II Guerra, enlouquecido por estar no fim se enfurnou dentro de um bunker, e lá se matou. Mas enquanto ele estava vencendo muita gente boa falava dele com se fosse alguém importante. Bom, ele era abjeto, era louco, e merecia ter ido a um tribunal.
Seu carisma era impressionante, dobrou uma nação, e viu a Alemanha tomar conta de toda Europa, menos a Inglaterra. Foi lá que Churchill, o grande herói, sustentou a parada até a chegada dos americanos, que viraram o jogo e tornaram-se os poderosos que são até hoje.
Dois filmes sobre a II Guerra são marcantes para mim. “A Queda“, que retrata os dias finais do regime nazista, e o recente “Dunkirk“. O primeiro desnuda a mente doentia do ditador, afinal todos os ditadores são doentes, delirantes.
Já o segundo demonstra espetacularmente a frenética e angustiada retirada das tropas inglesas da França, que caía de joelhos ante o imparável exército alemão. No filme estão todos nas praias tentando pegar um barco e voltar para a Inglaterra, para se reagrupar e tentar mais tarde uma invasão. Naquele momento a II Guerra parecia um triunfo para Hitler, todo o mundo livre estava prestes a ser invadido e dominado pelo senhor de bigodinho e saudação quixotesca.
Na cena final um almirante inglês não embarca: “Eu fico pelos franceses“, só um homem nobre tem tal gesto, embarcou os seus e ajudaria no que pudesse as tropas francesas que queriam fugir para não serem presas.
Aqui no Brasil Vargas flertava nas surdinas com os nazistas, mas também sondava os americanos, estes não encorajavam nenhum país do continente a estreitar relações com a Alemanha. Mas Vargas queria era alavancar o Brasil, afinal tínhamos tudo, dinheiro, matéria-prima e mão de obra, mas nos faltava tecnologia. O Getúlio conseguiu a Siderúrgica Nacional para produzir aço, e criou a Petrobrás para tratar do petróleo com a ajuda americana, só aí ele entrou na Guerra com os aliados.
Outro povo que já se perdeu nas areias do tempo foram os fenícios. Inventaram o primeiro alfabeto, o comércio em grande escala, e, por acaso, descobriram o vidro 4500 anos antes do Cristo caminhar pela terra calcinada da Palestina.
Segundo consta, os fenícios, por acaso, faziam fogos nas areias do deserto e saía uma substância colorida que solidificava, era o vidro. Povo prático, logo achou uma finalidade e assim começou a produção da vidraria. Mais tarde ao se adicionar chumbo e bário criaram o precioso cristal.
Voltando há 80 anos atrás, a loucura atrás de um líder carismático era tal que toda a Áustria comemorou como se o país vencesse uma Copa do Mundo quando o líder alemão simplesmente anexou este país ao outro, criando a Grande Alemanha ( Austria + Alemanha).
Com o final da II Guerra a Alemanha estava devastada, mas os austríacos foram menos judiados pelas batalhas, e até 1990 eles não suportavam nem falar do período anterior, como se nada tivesse acontecido. Para eles não havia porque se desculpar da aliança com Hitler, das deportações de milhares de judeus austríacos para os campos de extermínio. Mas isso começou a mudar e haver um questionamento.
Por que trago isso à baila? Porque os austríacos com a recente Guerra da Síria estão tendo que lidar com os milhares de refugiados, e os sentimentos racistas e xenófobos voltaram à tona.
Para discutir isso um museu de lá criou uma “obra de arte invisível“. Na Praça dos Heróis, centro de Viena, a capital austríaca, uma artista tira sons de taças de cristal, agudos, impressionantes. Representam os gritos desesperados dos milhões que foram mortos naquela guerra horripilante, faz pensar, faz mudar? Não sei a resposta, mas acho bonita a ideia, sutil beirando a melancolia que os sons provocam.
Alguém já tirou sons da borda de uma taça de cristal? Uma vez minha avó Orphelina me mostrou como se faz numa taça que era da avó dela, se molha o dedo no líquido da taça em questão e começa-se a friccionar a borda, tem gente que é mestra nisso, é agudo, lamentoso. E o meu lamento é que países tão desenvolvidos, com uma cultura deslumbrante ainda sejam vítimas de ideias políticas obtusas, que excluem.
Desnecessário dizer que não podemos ir atrás do primeiro líder que aparecer, de idéias que parecem ser cativantes mas que à curto prazo podem virar a roda do destino e prejudicar toda uma nação.

Opinião

balanço geral

*Material publicado no JORNAL O FATO, edição de terça-feira, produzido para a coluna AS 10 MAIS DE DAGOBERTO FOCACCIA. Estou escrevendo a página enquanto o “Dago” descansa e se prepara para retornar 100% com muitas novidades.

01. O centro de São Gabriel está sendo preparado para a implantação do estacionamento rotativo. O próprio secretário, o Marcos Mec, confirmou. Então, acreditamos que está certa a sua oficialização ainda este ano. O objetivo é entregar para a empresa que assumir a “administração” do estacionamento, vias em perfeitas condições. Para os motoristas, e para os próprios pedestres, vai ser uma boa. Há quem não aprove. Mas o estacionamento rotativo vai acabar com esse caos no centro da cidade, que torna impossível encontrarmos vagas disponíveis em determinados períodos do dia. Com certeza vai acabar com o fluxo absurdo de automóveis nas ruas centrais.

asfalto no centro

02. O vereador Márllon demonstrou certa insatisfação com os comentários, alguns até maldosos, referentes a proposição dele para a implantação de um Posto de Fiscalização na BR-290. Teve gente dizendo que se tratava de uma nova fábrica de arrecadação através de multas. A proposta dele, que já recebeu apoio de políticos de Santa Margarida do Sul e Vila Nova do Sul e tem aval do Prefeito de São Gabriel, Rossano Gonçalves, busca unificar, num mesmo local, todos os serviços de segurança pública (com representações da Polícia Civil, Brigada Militar e Polícia Rodoviária Federal) e de fiscalização, como ICMS e Inspetoria. É óbvio que teve gente que não gostou nada, afinal de contas, a palavra FISCALIZAÇÃO assusta que não anda linha.

03. SENSACIONAL… FORMIDÁVEL… Assim mesmo, bem ao estilo do Dagoberto, eu inicio este tópico que revela alguns dos entusiastas do NOVO, partido novo (e me desculpem a redundância) de São Gabriel, entre eles, o neto dele, o Theodoro Chiappetta Focaccia Saibro (Theodorinho). O grupo ainda tem Rami Nuñez, Luis Fernando Silveira (o Checo), Matheus Forgiarini e Lucas Cabral. Deu para notar que o partido começa bem. Com nomes de expressão e ligados, principalmente, a área empresarial e comercial da cidade.

(*) 04. O ESPORTE AMADOR VAI BEM. Mas como está o profissional? O São Gabriel voltou a empatar pela Série Bronze. A torcida do São Gabriel ainda aguarda a primeira vitória na competição. O time local amarga as últimas colocações. Ainda tem chance de escapar da “lista negra”, mas se não reagir, rapidamente, a situação vai ficar bem PRETA. Já o amador vai muito bem. Aliás, o futebol amador – principal o futebol 7, é um dos melhores do Estado. Neste aspecto é importante destacar o trabalho do Jonathan Frazão, presidente da Liga, e do Coruja, que organiza o Campeonato do Coruja. Eles conseguiram dar mais visibilidade a este esporte. É claro que não dá para deixar de comentar a importância do médico Giancarlo Alves Bina, do Nasser, no Futsal, que também contribuíram para o sucesso da modalidade atualmente. Não é por menos que o Município já sediou duas finais estaduais.

05. EM DESTAQUE, na coluna de hoje, o médico Paulo Henrique Teixeira. O Dr. Paulo Henrique foi um dos homenageados durante a sessão solene de entrega de Títulos Gabrielense Emérito e Cidadão Gabrielense. O evento aconteceu no Espaço Garden, na última sexta-feira, organizado pela Câmara Municipal de Vereadores. Uma linda festa. O público elegeu o professor Potiguara como simbolo de superação. Ele sofreu um acidente doméstico, mas demonstra uma força de vontade para superar a deficiências que merece aplausos de todos. E foi isso que aconteceu. Ele foi aplaudido de pé por todos os presentes no evento. Mereceu!

Paulo Henrique

06. O prédio da Delegacia de Polícia (o antigo, que funciona anexo ao conjunto de salas que um dia também sediou o Fórum Municipal) está em reformas. Está sendo substituído o telhado.O objetivo é acabar com os alagamentos, que em dia de chuva impedem o trabalho dos policiais e impossibilitam que as pessoas possam ser atendidas. Na prática, o que está sendo feito é bom para todo mundo. Os policiais precisam de ambiente adequado para o trabalho para desempenharem com eficiência suas funções.
MAS… observem bem. MAS, O SERVIÇO ESTÁ COMPLICADO. A obra, que é mantida com recursos do GAP – Grupo de Apoio Pró Polícia Civil, vai parar se a comunidade não ajudar. O GAP “sobrevive” com doações da população. Nos últimos meses, o máximo que entra no caixa do GAP são algumas dezenas. Com o caixa no vermelho, o GAP está pedindo apoio. Quem quiser ajudar, pode procurar o Comissário Furtado, policial da reserva, na Delegacia de Polícia. Ele vai orientar como fazer as doações. Ou, quem preferir, pode procurar o Banrisul. No caixa basta informar que quer depositar na conta do GAP.

07. Com exclusividade. Ela chega para assumir a condição de favorita… Poucos acreditavam, mas ela vem. Vai ser uma das surpresas neste ano de eleição.

08. Enquanto todo mundo comenta o que acontece na Síria, em Curitiba ou no Rio de Janeiro, tem gente (esperta) de olho no que acontece somente na terrinha. Conselho: fiquem esperto. É preciso observar o que acontece no rincão, para depois defender os estrangeiros.

09. Parabéns ao casal Cristhiani Artifon Guedes e Evandro Guedes pelos 10 anos de Evandro Imóveis. Estive presente no evento, realizado no último sábado. Foi uma maravilha.

10. GANHAMOS UM TELEVISOR. Sorte é para poucos. A amizade com o Evandro já bastava para fazer-me presente na festa dele, de apresentação das novas dependências da Evandro Imóveis. Acabei retornando para a casa com um televisor novo, de 32 polegadas, brinde da Evandro Imóveis sorteado entre os presentes. A sorte é da Soila, minha mulher, que foi sorteada duas vezes.

televisor

(*) Em tempo: essa coluna foi escrita na terça-feira. O São Gabriel conquistou a primeira vitória na Divisão de Acesso, na quarta-feira, por 1 a 0, sobre o Lajeadense.

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balanço geral

TRANSPORTE ESCOLAR
O Secretário Sildo Cabreira confirmou que a Secretaria de Educação está tentando agilizar – mesmo já não sendo responsabilidade do Município – o trabalho da 19ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) auxiliando no deslocamento de representantes da Coordenadoria no interior do Município. Os profissionais estão fazendo a medição das linhas do transporte escolar. O secretário também aguarda a decisão do Judiciário de São Gabriel. Há duas semanas, a Promotoria Regional de Educação intercedeu judicialmente e, desde então, aguarda a liminar que autorize a contratação emergencial de empresas para o transporte escolar dos alunos do Estado, no interior, que ainda não iniciaram o ano letivo.

CÂMARA PEDE AMPLIAÇÃO DA LINHA DE ÔNIBUS
A falta de transporte escolar aos alunos da localidade do Lava-pé está perto de chegar ao fim. Durante encontro articulado pelo presidente do Legislativo com os secretários Sildo Cabreira, da Educação, e Paulo Sérgio Barros, de Serviços Urbanos, ficou acordado que será feita solicitação a empresa Coleurbanos, para que amplie a linha de ônibus que atende ao bairro independência até a localidade da escola Homero Prates, na parte da manhã e ao meio dia, para trazer os alunos ao centro da cidade.
O ofício de solicitação foi entregue em mãos ao secretário Paulo Sérgio pelo vereador Aloy, durante reunião na câmara de Vereadores na manhã desta quarta-feira. Esta é uma ação emergencial encontrada para que os onze alunos daquela localidade não fiquem sem frequentar a escola. Estes alunos estão sem transporte desde o rompimento do convênio do município com o Governo do Estado.
“A ampliação da linha até a escola Homero Prates será uma ação temporária até que um novo contrato possa ser estabelecido e os alunos voltem a ser atendidos”, afirma o presidente Maninho. Segundo o secretário Sildo, a promotoria de Santa Maria já protocolou uma ação judicial em São Gabriel, para que os recursos do Estado sejam congelados, a fim de se contratar uma empresa emergencialmente para realizar o serviço. A ação ainda está em tramitação.

PT VAI REGISTRAR CANDIDATURA DE LULA
O Partido dos Trabalhadores (PT) decidiu que vai registrar a candidatura de Lula mesmo após ele ser preso. Em reunião, na segunda-feira, a presidente nacional, senadora Gleisi Hoffmann, também confirmou a decisão de transferir a direção política do PT para Curitiba. A dirigente antecipou que os governadores do PT participarão de reunião na capital do Paraná e tentariam visitar Lula na Superintendência da PF. Gleisi afirmou que várias lideranças estão pedindo para ver o petista, entre elas, o ex-presidente do Uruguai, Pepe Mujica.

INCENTIVO – O Palmeiras joga pela Série Bronze somente no dia 28 de abril, mas, como em outros anos, o principal adversário deverá ser mesmo a falta de dinheiro. A direção ainda aguarda o “OK” da Prefeitura para um pedido de incentivo no valor de R$ 20 mil e conta também com o apoio da Câmara de Vereadores. Para que a torcida também ajude, o time gabrielense vai ter que provar, dentro de quadra, que tem potencial e merece o apoio dos gabrielenses.

PRÉ-CANDIDATO – Em encontro, realizado no final de semana, o PSD oficializou a pré-candidatura do médico Arlindo Vargas à deputado federal. O evento contou com a presença do vereador e presidente do PSD, André Focaccia; da vice-presidente do PSD Estadual e Coordenadora do PSD Mulher RS, Letícia Boll Vargas; e de lideranças e filiados. No mesmo final de semana, através do Gabinete do Deputado Danrlei, foi oficializado o encaminhamento de recursos através do Ministério do Desenvolvimento para a APAE de São Gabriel no valor de R$ 100 mil.

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balanço geral

DEMOCRACIA

O Brasil está um caos. Muita coisa não aparece na televisão, mas, é possível ter noção da bagunça que se instalou no território nacional pelos grupos de jornalismo do WhatsApp. Com representantes nos quatro cantos do país, nota-se que a situação atual é complicada. O Brasil está prestes a “explodir”. O problema é que sabemos que vai pagar o “pato”. Espero, sinceramente, que no final de tudo, ainda tenhamos direito de expressão, que não tenhamos jogado pelo ralo todas as conquistas que nos permitem, hoje, ter acesso ao que realmente acontece de um lado ao outro do país.

COMEÇOU O “ABRIL VERMELHO” DO MST

O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) iniciou uma série de protestos inseridos na mobilização que chamam de Abril Vermelho. O MST montou acampamento no Bairro Santa Cândida, em Curitiba, onde fica a sede da Superintendência da PF (Polícia Federal), na capital paranaense. Pelo menos 22 ônibus haviam chegado até às 12h de domingo passado.

Alexandre Conceição, da coordenação nacional do MST, informou à Agência Estado que o movimento adiou a jornada de ocupações do “Abril Vermelho”, que começaria no fim de semana, para focar no apoio a Lula preso. Mas ontem, conforme as agências de notícias e jornais do centro do país, duas áreas foram invadidas no Estado da Paraíba, uma delas a Fazenda Volta, pertencente ao senador José Maranhão, do MDB. No Ceará, foi ocupada uma área do Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra a Seca), do Ministério da Integração Nacional. Fazendas foram invadidas também nos municípios de Teresina e Curralinho, no Piauí, e em Morro Agudo, no Estado de Goiás. Conforme o MST, as ações prosseguem nesta quarta-feira (11/04) dia marcado para “uma mobilização nacional em defesa da liberdade de Lula”.Além das invasões, o MST interrompeu via federais. A PRF informou dois pontos de bloqueio em rodovias federais na região norte do RS: em Marcelino Ramos, no km 1 da BR 153 e em Barracão, no km 7 da BR 470.

A ORIGEM DO ABRIL VERMELHO

O Massacre de Eldorado dos Carajás aconteceu no Pará, em 1996, no município de mesmo nome, que fica a cerca de 750 km de Belém. Na ocasião, uma marcha de trabalhadores rurais ia para a capital quando a Polícia Militar chegou ao local e recorreu à força para tirar os manifestantes da rodovia que os sem-terra obstruíam. Ao todo, 21 pessoas morreram: 19 delas na hora e outras duas depois, em decorrência de ferimentos. Desde então, o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) se mobiliza, em um movimento ao qual chamou de “Abril Vermelho”. A jornada nacional tomou como símbolo o massacre e reivindica a reforma agrária.

SEGURANÇA NA BR-290

A decisão de fechar o posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF) de São Gabriel não agradou que mora na região, imagina quem mora, aqui, no município. Sinceramente, faltou representação política para impedir o fechamento. Tanto é que, desde a semana passada, o posto foi definitivamente desativado. Pelo que deu para entender, nem àquelas horas diárias que a PRF “passava” aqui em São Gabriel, agora os gabrielenses terão “direito”. Nos últimos dias, São Gabriel registrou três casos de assalto. Trata-se de uma modalidade de crime que raramente se via aqui pela região. O crime evoluiu e a segurança regrediu. A BR-290, como os nossos administrados sempre dizem quando buscam investimentos, é a principal via de acesso para os grandes centros do Estado e São Gabriel está estrategicamente localizada. Isso também serve para o crime. O bandido também pensa da mesma maneira. Seria importante repensar a segurança dos gabrielenses, margaridenses e vilanovenses. Hoje estamos completamente desassistidos.

POSTO DE FISCALIZAÇÃO

Se não houve força política para manter o posto da PRF em São Gabriel e, isso, foi decisão anunciada em Brasília e “imposta”, goela abaixo, para a nós gabrielenses, então que a comunidade se mobilize e minimize a situação defendendo a implantação de um Posto de Fiscalização no antigo posto da PRF.  A proposta é do Vereador Márllon Maciel, do PP, e defende a instalação de um posto avançado com representações da Brigada Militar, Polícia Civil, Exército, Inspetoria Veterinária e setor de ICMS da Prefeitura, e da própria PRF, com o objetivo de promover ações conjuntas ou individuais.Lideranças políticas de Santa Margarida do Sul e Vila Nova do Sul já acenaram com apoio a proposta do vereador.

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DR. GERSON BARRETO

A ULTIMA NOITE

Há uma assunto que me interessa, dou uma pista, sou filho de dono de restaurante. E é comida! Não há como desprezar uma comida bem feita, ainda mais eu que cresci ouvindo todos os meus familiares debatendo sobre um tema, o que fazer para comer.
O restaurante Esquina Bianchetti inaugurou em 1972, foi uma noite que minha mãe ficou muito empolgada, tudo tinha que dar certo, e deu tão certo que por 16 anos o local foi um marco na cidade de Bagé.
Meu pai era, junto com o tio dele Pedrinho Bianchetti, um dos proprietários e também o relações públicas da casa. Todo e qualquer problema, ligavam para ele resolver.
Por ser um local popular e de boa mesa era onde muita gente escolhia para extensão do próprio lar, eram clientes de carteirinha, todo dia batiam ponto para conversar e comer algum petisco.
Eu, criança, ouvi que na cidade ocorrera uma tragédia. Como no filme “ O Poderoso Chefão III “ do Coppola, houve troca de tiros no centro da cidade, era como se tivessem recriado a última cena do filme, trágico, arrebatador, e injusto. E num final triste, restaram mortos numa escadaria do centro de Bagé.
O julgamento foi marcado e a cidade eletrizada comentava sobre o que aconteceria. Com um ingrediente, o acusado faria algo inédito para a cidade, sua autodefesa. Tal qual um Cícero da Roma Antiga ele usou somente a palavra, e virou o jogo que pesava contra si. Mas um detalhe, que para mim criança que observava tudo, foram os debates lá dentro da cozinha do restaurante. O juiz tinha ligado para o pai pedindo que fosse feito um local reservado para que os jurados comessem em separado, o julgamento seria longo e todos teriam que comer.
O pai, solícito, perguntou se haveria alguma preferência por algum prato. “ Nhoques, adoro os nhoques da sua casa “. Minha mãe achava que deveria ser servido o nhoque tradicional com carne de panela. Como sempre a pessoa que era ouvida nessas ocasiões era a suprema mandatária da cozinha, tia Julieta.
Não, ela fazia questão dos seus apetitosos nhoques manufaturados com queijo. Argumentou que assim os nhoques não se desmanchariam ao serem cozidos, já que era uma grande quantidade para muita gente, e isso facilitaria a tarefa das cozinheiras. A receita mais aceita em família era somente com acréscimo de uma gema de ovo, mas tornava a massa mais frágil.
Depois se decidiu com o que seria servido, mais uma vez tia Julieta opinou, disse que se o juiz gostava dos nhoques também gostaria de suas almôndegas, e mesmo sendo um pouco mais trabalhoso tratou de determinar que os nhoques seriam servidos com almôndegas.
Lembro das pessoas chegando, do alvoroço, porque inicialmente foram só os jurados, e com a recomendação que não poderiam falar com ninguém. Meu pai havia determinado que por ser um dia atípico o restaurante fecharia as portas para receber aquela comitiva. Um dos poucos dias que o restaurante fechou as portas durante sua existência, o outro foi quando o tio Pedrinho veio a falecer.
O corpo de jurados saiu, voltando para o Fórum, bem mais tarde veio uma multidão, após o término do julgamento, e pareciam estar com muita fome. Soube que o juiz estava no salão por um dos garçons, e fui rápido contar para a tia Julieta, que me pedira esse favor. “ Guri cuida para saber se ele está gostando dos nhoques ! “. Voltei aos garçons que atarantados corriam pelo salão para servir a todos. “ Diz lá para D. Julieta que já é a quarta vez que o juiz se serve, é bom ela mandar mais travessas com nhoque quente “, exclamou um dos garçons. Tia Julieta tinha que ser logo apaziguada, sangue quente de italiana era capaz de interpelar o juiz, caso o magistrado não demonstrasse a devida satisfação pela iguaria que ela se esmerara em fazer.
Mas tudo é um ciclo, tem o seu apogeu e seu declínio. Para minha infelicidade que adorava tudo aquilo, meus pais decidiram ir morar na campanha, no local que minha mãe herdara, o Cunhatay.
O restaurante fechava suas portas em 1988. Não sem antes fazerem uma grande festa, onde reproduzo aqui a saudação de um dos mais fiéis amigos da casa, que tomou a palavra para homenagear meu pai.
O pai, que entre um grupo que periodicamente se reunia era denominado como “Parente“. E este grupo, melhor dizendo, “O Plenário“, era uma confraria de amigos. Pois José Flávio Duarte Madeira, de cima de uma cadeira, proferiu a seguinte manifestação:
“ Senhores, encerra-se nesta noite de outubro, em plena primavera, um ciclo que por sua natureza ímpar e majestosa vai marcar época e deixar saudades.
Por 16 anos, nestas paredes, a pecuária e a lavoura tiveram mais impulso que nos gabinetes dos tecnocratas, ou nas assembléias de classe. Por 16 anos, sob a mediação serena e imparcial do Parente, uma verdadeira bolsa de valores da pecuária existiu nesse local. O preço do boi, da vaca gorda, o peso das carcaças, o peso dos novilhos, o número de Cotas Hilton, o número de selecionados, a tatuagem dos carneiros, o cio das borregas do plantel, a média dos velos, a percentagem de cordeiros assinalados, os financiamentos pelo EGF, as máquinas que quebram, os estouros nos bancos, a mulher do próximo, as conquistas dos solteiros, as fugidas dos casados …
Aqui, campos foram comprados, e aqui campos foram divididos, arrendados, mas o importante é fazer o espetáculo continuar. E a boa vontade valia mais que a verdadeira idade do boi, fosse quem fosse o seu dono.
Sopa de colas de cordeiro, grãos de touro assado nas cinzas da lareira, mulita, perdiz, traíras, jundiás, aqui foram devorados como se estivéssemos no Maxim’s, em Paris.
Enfim, aqui, Parente, hoje toda essa turma te abraça, mesmo que mudes a profissão sempre estaremos contigo ali no Cunhatay, ou em Bagé, e por isso, ao acabar estas humildes laudas, em nome de todos te digo valeu, Parente.”
E para mim Bagé ficava um pouco mais triste, mas seguia a vida, já era o último ano da faculdade antes do estágio do sexto ano, depois viria a residência médica em nefrologia. Bom recordar passados 30 anos, saudades de todos aqueles Bianchettis, e seus amigos, e os casos divertidos que se desenrolavam pelo salão da Esquina Bianchetti.