NÚMERO DE VÍTIMAS DE HOMICÍDIOS NO ESTADO TEM QUEDA DE 40% EM AGOSTO.

Nos primeiros oito meses, assassinato de uma criança é o crime que mais abalou

Confirmando a tendência de queda verificada nos últimos meses, agosto deste ano foi o menos violento desde 2006, se levado em conta o número de vítimas de homicídios no Rio Grande do Sul. Foram 117 mortes, 79 a menos que no mesmo período do ano passado. Os números foram divulgados no começo da tarde desta quinta-feira (12) pela Secretaria da Segurança Pública do RS. Em Porto Alegre, os índices também apresentaram queda. Pela primeira vez na última década, a Capital fechou o mês com menos de 20 homicídios. Foram 16 casos contra 42 registrados em agosto de 2018 — redução de 61,9%.
Se levado em conta os números de janeiro a agosto deste ano, o Rio Grande do Sul registrou uma diminuição de 24,3% nos homicídios. Em 2018, foram 1.631 vítimas assassinadas. Este ano, 1.234. É o menor número de vítimas desde 2011 e a a maior queda histórica de toda a série.
O índice também diminuiu em São Gabriel. Os anos de 2016 e 2017 colocaram o Município entre os mais seguros do Estado por causa da pequena quantidade de casos envolvendo mortes. Já o de 2018 contabilizou 11 homicídios. O número praticamente dobrou em relação ao mesmo período de 2017, quando São Gabriel registrou seis mortes. Este ano, nos primeiros oito meses foram registrados seis homicídios, um a menos em relação ao mesmo período de 2018.
Um dos crimes abalou a comunidade gabrielense. O assassinato da menina Kauany Vitória Rodrigues Veloso, de dois anos, foi provocada por agressões causadas por um adolescente que estaria na casa dela, no Bairro Santa Clara. O delegado de polícia, José Soares Bastos, informou que trata-se de um menor de 17 anos. Ele foi apreendido no dia 22 de julho e, depois, encaminhado para o CASE – Centro de Atendimento Socioeducativo de Santa Maria. Ainda, conforme o delegado, o adolescente responderá por ato infracional equivalente a homicídio qualificado.
O crime aconteceu na madrugada do último sábado (20/07), na zona sul da cidade. Por volta de 6 horas, o corpo da menina foi encontrado próximo as margens de um açude, cerca de 100 metros da casa, com várias cortes no pescoço causado por golpes de faca. O assassino disse que matou por que ficou irritado com o choro da criança.

Estupros
O 13ª Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado na terça-feira (10/09), registrou recorde da violência sexual. Foram 66 mil vítimas de estupro no Brasil em 2018, maior índice desde que o estudo começou a ser feito em 2007.
A maioria das vítimas (53,8%) foram meninas de até 13 anos. Conforme a estatística, apurada em microdados das secretarias de Segurança Pública de todos os estados e do Distrito Federal, quatro meninas até essa idade são estupradas por hora no país. Ocorrem em média 180 estupros por dia no Brasil, 4,1% acima do verificado em 2017 pelo anuário.
De acordo com a pesquisadora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Cristina Neme, “o perfil do agressor é de uma pessoa muito próxima da vítima, muitas vezes seu familiar”, como pai, avô e padrasto conforme identificado em outras edições do anuário. O fórum é o órgão responsável pela publicação do anuário.
Para a pesquisadora, a reincidência do perfil indica que “tem algo estrutural nesse fenômeno”. Ela avalia que a mudança de comportamento dependerá de campanhas de educação sexual e que o dano exige mais assistência e atendimento integral a vítimas e famílias.
De cada dez estupros, oito ocorrem contra meninas e mulheres e dois contra meninos e homens. A maioria das mulheres violadas (50,9%) são negras.

Feminicídio
Além do crescimento da violência sexual, o anuário contabiliza alta dos homicídios contra mulheres em razão de gênero, o chamado feminicídio descrito no Código Penal, após alteração feita pela Lei nº 13.104. Em 2018, 1.206 mulheres foram vítimas de feminicídio, alta de 4% em relação ao ano anterior. De cada dez mulheres mortas seis eram negras. A faixa etária das vítimas é mais diluída, 28,2% tem entre 20 e 29 anos, 29,8% entre 30 e 39 anos. E 18,5% entre 40 e 49 anos. Nove em cada dez assassinos de mulheres são companheiros ou ex-companheiros.

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