PACIENTES COM DIABETES TEM ATENDIMENTO CENTRALIZADO NA UNIDADE BRANDÃO.

equipe hiperdia

O número de brasileiros diagnosticados com diabetes cresceu 61,8% nos últimos 10 anos, passando de 5,5% da população em 2006 para 8,9% em 2016. A pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), divulgada em abril pelo Ministério da Saúde, revela ainda que as mulheres registram mais diagnósticos da doença – o grupo passou de 6,3% para 9,9% no período, contra índices de 4,6% e 7,8% registrados entre os homens.
Em São Gabriel, os índices podem ser ainda maiores. O médico nefrologista Gerson Barreto de Oliveira acredita que 10% da população gabrielense é diabética. “Isso significa que mais de 6 mil pessoas são diabéticas em algum grau e precisam de cuidados”, explica.
O levantamento revela que, no Brasil, o indicador de diabetes aumenta com a idade e é quase três vezes maior entre os que têm menor escolaridade. Nas pessoas com idade entre 18 e 24 anos, por exemplo, o índice é de 0,9%. Já entre brasileiros de 35 a 44 anos, o índice é de 5,2% e, entre os com idade de 55 a 64 anos, o número chega a 19,6%. O maior registro, entretanto, é na população com 65 anos ou mais, que apresenta índice de 27,2%.
Responsável pelo atendimento aos pacientes assistidos pelo Programa Hiperdia da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), o médico nefrologista informa que, desde o mês passado, a atenção aos doentes com diabetes está centralizada e acontece na Unidade de Saúde Brandão Júnior. A SMS montou uma estrutura – que vai da organização do setor a dispoinibilização de profissionais, como médico, enfermeira, quatro técnicos em enfermagem, nutricionista e assistente social – para ficar a disposição de uma população considerada carente e que necessita de atenção básica.


“Muitos dos nossos pacientes são carentes, pessoas que vivem sozinhas, com todas as dificuldades de morar sozinhas, algumas com dificuldades visual para ver a dose da insulina ou ver a receita. Esses pacientes, com dificuldades visuais, são triados para o Centro de Oftalmologia, em Rosário do Sul, que atende pelo SUS, e com isso estamos tentando dar uma atenção toda especial para essa população, que é uma população que está sempre precisando de médico, de orientação e de cuidados mais focados na sua doença”, argumenta Gerson.
O Hiperdia funciona de segunda a quinta, atendendo, em média, 14 a 18 pessoas por tarde. O atendimento é feito em duas etapas: pela manhã, profissionais do Programa Hiperdia verificam a pressão e a glicose. Os pacientes retornam no período da tarde, quando são atendidos pelo médico, que, quando necessário, faz novos testes, avalia exames (que são feitos de dois em dois meses), renova receitas e orienta. “Com isso, com atendimento especializado e qualificado, estamos conseguimos fazer com que o paciente tenha uma melhor adaptação a doença crônica”, avalia o médico.
Na sexta-feira são atendidos pacientes que tem perda da função renal. “A população carente é atendida aqui”, complementa.
O Hiperdia é um aliando importante no tratamento da doença, com os profissionais estando próximos dos pacientes e conhecendo o histórico de cada pessoa. “Em muitos casos, os pacientes negam a doença, não querem fazer o tratamento correto, há uma resistência muito grande a insulina e a nossa equipe (enfermeiros e técnicos) ajuda muito em relação a esclarecer e desmistificar o medo que eles tem de fazer a insulina”, finalizou.

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