SANTA CASA NÃO TEM LEITOS DISPONÍVEIS. PACIENTES AGUARDAM “BAIXA” EM LEITOS DE OBSERVAÇÃO OU EM CADEIRAS NO PA.

pronto atendimento 24h

PA 24h teve média diária de 373 atendimento nos últimos 10 dias

Sabe aquela expressão popular, “fazer das tripas coração”, pois então, ela define muito bem a situação da Provedoria do Hospital de Santa Casa de Caridade. A instituição confirmou oficialmente, na manhã desta sexta-feira (30/06), que não tem leitos disponíveis para baixas e que o número de pessoas precisando de quartos continua aumentando diariamente.
O Provedor Marcos Goes informou que 100% da capacidade hospitalar já foi atingida e a demanda continua aumentando com pacientes aguardando a saída de um para a entrada de outro em leitos de observação no Pronto Atendimento 24 Horas. As 202 camas estão ocupadas. O número supera o limite de vagas para atendimento pelo SUS, mas isso é algo que nem é levado em consideração, tendo em vista que a Provedoria tenta administrar a situação para não deixar pacientes sem atenção básica. A afirmação é do próprio provedor.
A falta de leitos é uma dificuldade que a instituição vem enfrentando nos últimos 30 dias com o aumento da demanda.
A oscilação nas temperaturas – com termômetros indo dos 10ºC aos 28ºC e caindo novamente para os 10ºC em questão de horas – contribui para que ocorram problemas respiratórios e aconteça a elevação no número de internações.
Com isso, especialmente crianças e idosos sofrem as agruras dos resfriados e, agora, das gripes, das viroses, que a cada ano voltam com novos nomes e identificações científicas, porém com efeitos piores do que aqueles verificados em anos anteriores. Sempre foi assim e a tendência da natureza é que assim permaneça ou, o pior, que variações climáticas continuem se alternando sem que se possa ter uma barreira de proteção.

PRONTO ATENDIMENTO LOTADO
Quando a reportagem chegou, não haviam pessoas aguardando atendimento no setor de espera do PA 24h. Em pouco menos de 10 minutos, o setor lotou. O médico Ricardo Sozo Vitor, que atende no setor de emergência, confirma que há uma demanda excessiva de pessoas procurando o PA. É muito difícil encontrar o Pronto Atendimento vazio.
E os números dos últimos 10 dias confirmam a situação. Foram 3.738 atendimentos, entre 20 e 30 de junho, estabelecendo uma média de 373,8 pessoas atendidas por dia.
O plantão do final de semana passada foi o mais problemático, com 610 atendimentos em 48 horas, com média superior a 12 pacientes atendidos a cada hora.
Essa demanda elevada causa dificuldades para o atendimento. Como são muitas pessoas em busca de vagas, acaba estourando o limite e a Administração tendo que organizar pacientes numa fila de espera, que pode acontecer com doentes acamados em leitos de observação no Ambulatório ou até em cadeiras, como aconteceu na última quinta-feira (29/06).
“Pessoas em cadeiras é um caso excepcional. Damos sempre um jeito. Se não tiver leito, organizamos um local e colocamos o paciente numa maca até que surja uma vaga no hospital”, explicou o Provedor.
O ambulatório do PA tem 10 leitos onde ficam os pacientes em observação aguardando avaliação médica, podendo ou não serem baixados.

obras na santa casa

Obras devem ampliar o número de vagas

NOVOS QUARTOS
A situação deve ser minimizada nos próximos dias. A Provedoria prepara para anunciar – em cerca de 30 dias – a reinauguração da antiga Classe A, que está sendo totalmente reformada. Serão 22 quartos novos, ampliando a capacidade do hospital para atender a população.
O Provedor também conta com a implantação do Terceiro Turno no atendimento das Unidades Básicas de Saúde (UBS), que, segundo ele, deverá absorver parte do público que busca socorro no Pronto Atendimento.

A REALIDADE NO RIO GRANDE DO SUL
O Rio Grande do Sul teve queda no número de leitos hospitalares destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS) nos últimos dois anos. Conforme o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), entre 2014 e 2016 houve uma redução de 595 leitos. De 24.160, o total passou para 23.565, uma queda de 2,4%. Ainda segundo o cadastro, a maior parte dos leitos fechados são da área clínica, com diminuição de 342.

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