DIA MUNDIAL DO CÂNCER: “PARA VENCER O CÂNCER, DIAGNÓSTICO PRECOCE E O APOIO DA FAMÍLIA FORAM ESSENCIAIS”, DIZ DAGMAR.

dagmar

A dor forte no peito e a impressão que tinha uma pedra no seio fez com que a comerciária Dagmar Pimentel Menezes, de 43 anos, buscasse atendimento especializado de um médico oncologista. Ela acordou, numa manhã de fevereiro do ano passado, se sentindo estranha. O curioso, é que até o dia anterior, ela estava bem. Os sintomas, como ela mesmo conta, surgiram da noite para o dia.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Controle do Câncer (IBCC), entre os 35 e 40 anos, a mulher deverá fazer a primeira mamografia, que servirá de base para avaliar as condições da mama e possibilitar exames comparativos futuros. Dos 40 aos 50 anos, a freqüência da mamografia deverá ser determinada pelo médico, de acordo com a inclusão da paciente no grupo de risco e/ou com as características da mama. Após os 50 anos, todas as mulheres devem se submeter ao exame de mamografia anualmente.
No entanto, os profissionais da área orientam as pacientes a fazerem os exames, periodicamente e anualmente, a partir dos 40 anos. Isso como regra, contrariando o que está no papel e estabelecido pelo Ministério da Saúde. O que agrada a população feminina, que defende, inclusive, os exames para mulheres ainda mais jovens.
O caso de Dagmar chama a atenção para a importância exatamente disso, do exame preventivo. Ela vinha fazendo mamografia todos os anos, mas acabou deixando de fazer em 2015. Um ano depois se deparou com a doença vindo de uma forma inesperada.
O câncer, quando diagnosticado e tratado ainda em fase inicial, tem suas chances de cura estimadas em até 95%. Tumores de até um centímetro são pequenos demais para serem detectados por palpação, mas são visíveis na mamografia. Por isso é fundamental que toda mulher faça uma mamografia por ano.
Neste sábado (04/02) é celebrado o Dia Mundial do Câncer (não confundir com o Dia Mundial de Combate ao Câncer). A data foi criada pela União Internacional de Controle do Câncer (UICC) para reforçar a importância de adoção de hábitos saudáveis, atitudes de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento, fundamentais para o controle da doença.
“Nós podemos. Eu posso” é o tema deste ano e mostra que todos, tanto individualmente quanto no coletivo, temos papel importante para redução da doença.
No Brasil, o câncer é a segunda maior causa de mortes por doença e, somente no ano passado, havia a estimativa de aproximadamente 600 mil novos casos da doença.
Os tipos de câncer mais incidentes no mundo foram pulmão (1,8 milhão), mama (1,7 milhão), intestino (1,4 milhão) e próstata (1,1 milhão). Nos homens, os mais frequentes foram pulmão (16,7%), próstata (15,0%), intestino (10,0%), estômago (8,5%) e fígado (7,5%). Em mulheres, as maiores frequências encontradas foram mama (25,2%), intestino (9,2%), pulmão (8,7%), colo do útero (7,9%) e estômago (4,8%).
Depois de diagnosticado o câncer, muitas pessoas perdem a vontade de seguir em frente e acabam desistindo de lutar. Isso acontece quando o paciente não tem onde se apoiar. Dagmar conseguiu vencer a doença em 10 meses de exames, procedimentos de quimioterapia e radioterapia e uma cirurgia. Mas tudo isso só foi possível graças ao apoio do marido e dos filhos.
“O apoio da família é essencial. A cura vem do remédio e do tratamento, mas a família é o nosso apoio. Mesmo assim, existem aqueles momentos de depressão, que você chora sem saber porque, mas encontra forças de continuar na tua família”, comentou.
A estética é o que menos importa. Dagmar começou a perder os cabelos já nos primeiros meses de quimioterapia. Ficou completamente careca, mas não perdeu a beleza. Pelo contrário, assumiu a “carequisse” sem se abalar. “Nunca tive vergonha. Usei lenço por causa do frio e foi nesta hora que notei que cabelo não é só para bonito… a gente passa frio”, brincou.
Dagmar está curada do câncer, mas tem que passar por procedimentos há cada seis meses e tomar medicamentos por um período de cinco anos.
Em São Gabriel, conforme a Secretaria Municipal da Saúde, cerca de 50 pessoas são tratadas através do Sistema Único de Saúde (SUS). Esse número é bem maior se levarmos em consideração os pacientes que procuraram atendimento particular.
De acordo com o Secretário da Saúde, Ricaro Coirolo, o exame de mamografia pode ser feito no Hospital de Santa Casa de Caridade. Mesmo pelo SUS, não há demora para isso e o resultado é liberado em até uma semana. Já as consultas são realizadas em Uruguaiana, num prazo de até 20 dias após o resultado dos exames.
A maior dificuldade, em se tratando de SUS, diz respeito a cirurgias, que pode levar de seis ou mais meses para acontecerem. A Secretaria da Saúde garante que o Município tem profissionais capacitados para esse tipo de trabalho e defende a realização destes procedimentos em São Gabriel.

NOVA DIRETRIZ

Uma nova e polêmica diretriz da Associação Americana de Câncer (ACS, na sigla em inglês), divulgada no final de 2016, sugere que as mulheres comecem a fazer mamografia aos 45 anos de idade, adiando em cinco anos o início do exame. Até os 54 anos, a mamografia deve ser anual e, depois desta idade, feita a cada dois anos. Exames clínicos de mama, aqueles em que os médicos apalpam a área para detectar nódulos, estão desaconselhados. A mudança, recomendada por uma das entidades mais conservadoras no que se refere ao rastreamento de câncer de mama, não se aplica às mulheres com alto risco para a doença. A alegação da ACS é de que o alto índice de resultados falsos positivos em mulheres com menos de 45 anos causa angústia desnecessária, e que a eficácia das mamografias é baixa para essa faixa etária.
Por aqui, a idade de início do exame também está em análise. Semana passada uma audiência pública reuniu parlamentares, entidades, membros do Ministério da Saúde e pacientes para discutir a idade do rastreamento feito pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), dos 50 aos 69 anos. O presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), Ruffo de Freitas Jr., que estava na reunião, acredita, porém, que o exame deve começar mais cedo.
“A idade certa para começar a fazer mamografia no Brasil é 40 anos, porque entre 40 e 50 anos a prevalência do câncer de mama é de 25%, enquanto que em outros países, como EUA, Canadá e Suécia, fica entre 10% e 15%”, explica.

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