BALANÇO GERAL: “LADRÃO DE GALINHAS”.

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Sabe quando nos referimentos ao marginal como “ladrão de galinhas”, aquele pequeno ladrão que furta, na maioria das vezes para comer… Pois bem, em São Vicente do Sul a Polícia abriu procedimento para investigar o furto de 15 galinhas de uma propriedade no interior do Município. Além das penosas, o marginal fugiu levando alguns peixes de um açude, certamente com o objetivo de variar o cardápio durante a semana. O caso aconteceu entre a segunda e terça-feira na localidade de Chão Duro.
Conforme o dono da propriedade, ninguém viu nenhuma movimentação estranha na fazenda. Ele suspeita que os ladrões entraram por uma cerca no campo. Depois disso, eles arrombaram a porta de um galpão, de onde levaram um laço, um relho e as galinhas.
A Polícia encontrou quatro bicicletas abandonadas em um campo na saída da propriedade, às margens da BR-287. Não há suspeitos para o crime. Se “bobear”, os veículos deixados para trás valem bem mais que os objetos do furto. Deve ter sido uma maneira de compensar o dono das galinhas… Vai saber!?

E POR FALAR EM LADRÃO DE GALINHAS…
“Os canas pegaram o cara em flagrante roubando galinhas de um galinheiro e levaram para a delegacia.
– Que vida mansa, heim, vagabundo ? Roubando galinha para ter o que comer sem precisar trabalhar. Vai pro xilindró ! Gritou o delegado.
– Mas não era para eu comer não não. Era para vender.
– Pior. Venda de produto roubado. Concorrência desleal com o comércio estabelecido. Sem-vergonha! repetiu a autoridade.
– Mas eu vendia mais caro, eu não concorria não.
– Mais caro? Como assim…
– Espalhei o boato que as galinhas de galinheiro eram bichadas e as minhas não. E que as do galinheiro botavam ovos brancos enquanto as minhas botavam ovos marrons, caipira legítimo.
– Mas eram as mesmas galinhas, safado.
– Os ovos das minhas eu pintava.
– Que grande pilantra… 171. Estelionatário refinado.
Nessa altura da conversa já havia um certo respeito no tom do delegado.
– Ainda bem que tu vais preso. Se o dono do galinheiro te pega…
– Já me pegou. Mas fiz um acerto com ele. Me comprometi a não espalhar mais boato sobre as galinhas dele, e ele se comprometeu a aumentar os preços dos produtos dele para ficarem iguais aos meus. Aí convidamos outros donos de galinheiro a entrar no nosso esquema. Formamos um oligopólio. Ou melhor, um ovigopólio.
– E o que você faz com o lucro do seu negócio?
– Especulo com dólar, na bolsa… Invisto alguma coisa no tráfico de drogas. Comprei alguns deputados. Dois ou três ministros, juiz. Consegui exclusividade no suprimento de galinhas e ovos para programas de alimentação do Governo e superfaturo os preços.
O delegado mandou vir um cafezinho para o preso e perguntou-lhe se a cadeira estava confortável, se ele não queria uma almofada. Depois perguntou:
– Doutor, não me leve a mal, mas com tudo isso, o senhor não está milionário?
– Milionário ? Não. Trilionário. Sem contar o que eu sonego de Imposto de Renda e o que tenho depositado ilegalmente no exterior.
– E, com tudo isso, o Doutor continua roubando galinhas?
– Às vezes. Sabe como é…
– Não sei não, Excelência. Me explique melhor.
– É que, em todas essas minhas atividades, eu sinto falta de uma coisa. Do risco, entende? Daquela sensação de perigo, de estar fazendo uma coisa proibida, da iminência do castigo. Só roubando galinhas eu me sinto realmente um ladrão, e isso é excitante. Como agora. Fui preso, finalmente. Vou para a cadeia. É uma experiência nova !
– O que e isso, Excelência? O senhor não vai ser preso não.
– Mas fui preso em flagrante delito, pulando a cerca do galinheiro!
– Sim. Mas és primário, e com esses antecedentes… É a Lei Fleuri…
Luís Fernando Veríssimo

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