ESTADO TEM MAIS DE 2.800 HOMICÍDIOS, MAS COMEMORA REDUÇÃO DE 3% EM ROUBO DE VEÍCULOS.

capa-violencia-no-estado

A Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul divulgou na quinta-feira (26/01) os índices de criminalidade de 2016 em todo o Estado. No ano em que as mortes por esquartejamento estamparam quase semanalmente as manchetes dos jornais e a Brigada Militar teve recorde de aposentadorias, sem reposição de servidores, o secretário Cezar Schirmer comemorou o resultado de 2,9% de redução nos casos de roubo e de 3,5% nos de furto de veículos. A Operação Desmanche foi o carro chefe da segurança durante o ano, com o próprio governador José Ivo Sartori dizendo que era “a marca de seu governo”. As informações são do Portal Sul21.
Por outro lado, os números de crimes contra a vida seguiram em linha crescente. Os índices apresentados nesta quinta revelam que o Rio Grande do Sul registrou 2.872 casos de homicídio – 164 deles foram latrocínios. Houve ainda registro de 16 casos de sequestro e 19 homicídios dolosos por acidentes de trânsito.
“Outros estados mostram indicadores que aparentemente são melhores do que os nossos, mas na verdade há, com todo o respeito, uma espécie de manipulação. Quando conta homicídios, eles contam não o número de pessoas que morrem, mas de ocorrências. Se é uma ocorrência que morrem 4, é considerado um homicídio. Isso descaracteriza o dado. O que nós apresentamos aqui são os números de homicídio, somados um a um”, explicou Schirmer.
Sobre o que pode ter colaborado para o aumento dos índices de violência, na avaliação do secretário, há “causas gerais e causas específicas”. “Por exemplo, Caxias [do Sul], se tem a informação de que neste momento tem 15 mil desempregados, isso tem alguma incidência na violência e na segurança”, diz ele. Segundo a secretaria, 25 municípios do Estado – a maior parte na Região Metropolitana de Porto Alegre – concentram hoje 85% das ocorrências no Estado.
Segundo o secretário há “um esforço de gestão” para fortalecer a área de segurança pública no Estado. Schirmer anunciou, entre as medidas: aumento do orçamento para a pasta, formação de mais de mil novos policiais, novos concursos para a Polícia Civil, aporte de horas-extras e diárias, parcerias com novos prefeitos, colaboração com o governo federal que “despertou para a área de segurança pública”, mas não soube precisar datas e prazos de quando tudo será colocado em ação. Quando perguntado sobre qual a meta de redução nos crimes que o Estado espera para 2017, depois das ações implantadas, se limitou a dizer: “É meta interna, entendeu? Mas certamente, tem que reduzir”.
A única proposta com data até o momento é o aumento do efetivo. A Força Nacional, que atualmente tem 71 homens em Porto Alegre, deverá ser reforçada em fevereiro, com a chegada de mais 200 homens. Segundo Schirmer, somando a Força ao aumento de efetivo na Brigada com horas-extras, o Estado teria 600 novos agentes em campo a partir da metade do próximo mês.
Segundo a apresentação da SSP, cerca de 70% dos inquéritos policiais realizados no ano passado conseguiram identificar os autores de homicídios. O secretário diz que ainda precisa melhorar, no entanto, a parte de conteúdo dos inquéritos, para que as acusações “sejam incontestáveis tanto pelo Ministério Público, pelo juiz ou pelo advogado de defesa”.

O secretário criticou ainda a “tolerância do Estado brasileiro e da sociedade brasileira, como um todo” com relação ao consumo de drogas. “Nós precisamos chamar a atenção para essa realidade. A droga vem se constituindo num problema gravíssimo no país. Temos uma sociedade violenta, no 190 da Brigada Militar, grande número das chamadas é violência doméstica, violência contra a mulher, é arruaça, é barulho na rua, é tumulto, isso revela uma sociedade violenta e uma sociedade permissiva”. Em contrapartida, os índices do Estado registraram 10.340 casos de pessoas com posse de entorpecentes e 8.764 casos de presos por tráfico.

Anúncios

  • OUÇA A RÁDIO CULTURA