SÃO GABRIEL REGISTRA QUEDA DE 30% NO VOLUME DE TURISTAS ARGENTINOS, AFIRMAM EMPRESÁRIOS DA REDE HOTELEIRA.

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Paulo e Horácio Lederes admitem queda no número de turistas

Os números mostram que o volume de turistas que entram, ou saem do país, é bem elevado. Milhares de turistas, principalmente argentinos, saíram ou entraram no Brasil pela fronteira gaúcha em viagem de férias. Muitos deles cometem diversas infrações, principalmente excesso de velocidade.
Somente na aduana de Uruguaiana no final de semana passado, que faz divisa com a cidade de Paso de los Libres, foram impressos 283 boletos, com multas de argentinos, que estão entrando ou saindo do país. A arrecadação corresponde a cerca de R$43 mil.
Neste ano, motoristas argentinos que tem dívidas com multas no país, só podem cruzar a fronteira em direção às praias depois de pagar o que devem. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) intensificou a fiscalização e a cobrança, agora, já é feita na entrada do Brasil.
Na divisa com o Uruguai, também houve bastante movimento no final de semana. Somente no sábado (14/01), três mil argentinos passaram pela aduana entre Santana do Livramento e Rivera.
Quem ganha com essas idas e vindas é o mercado local, abastecido pelos vizinhos.
“Tendo opções de restaurantes, de hotéis, ele [visitante] acaba optando por ficar, então ele se alimenta no Brasil, se hospeda no Brasil, consome no Brasil e isso dá um retorno imediato para a fronteira Livramento-Rivera”, analisa o delegado da Polícia Federal, Alessandro Lopes.
Mas, se Santana do Livramento registro aumento, São Gabriel revela uma baixa considerável.

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Proprietária do Hotel Caçula fala da concorrência desleal

Acostumado a faturar com os argentinos, o gabrielense parece não se agradar com a redução de hermanos pelas ruas da cidade.
Os empresários e irmãos Horácio e Paulo Lederes admitem que houve uma queda de cerca de 30% no número de turistas em relação ao ano passado. Eles atribuem a queda ao câmbio desfavorável, a situação econômica dos países vizinhos e ao forte assédio dos caçadores de turistas, que acabou afugentando os turistas e fazendo com que pernoitem em cidades vizinhas.
A empresária Vera Regina Garcez Bicca, proprietária do Hotel Caçula, também reclama da situação. Ela tem um hotel com 35 apartamentos, funcionários e paga impostos, mas se vê “obrigada” a concorrer com preços bem inferiores apresentados por quem hospeda em suas residências.
Em São Gabriel, alguns hotéis e pousadas – já pensando em não perder tempo nem dinheiro com a alta temporada – dispõem de funcionários extras fazendo exatamente o mesmo: caçando turistas.
A Secretaria da Fazenda, através do Setor de Fiscalização, iniciou na manhã de ontem a “Operação 2 – hotéis e pousadas” com o objetivo de combater a concorrência desleal . Na prática, apesar de os fiscais estarem indo direto em estabelecimentos que, teoricamente, estão legalmente aptos para exercer a função, a proposta é estabelecer uma fórmula de combate aos “caçadores de turistas” atuando junto com a rede hoteleira da cidade.
De acordo com o Chefe do Setor de Fiscalização, Rogério Severo Porto, a Secretaria da Fazenda não está implantando um sistema de “caça as bruxas” e nem é a ideia principal evitar que gabrielenses consigam arrecadar recursos extras com essa função.
“No entanto, é preciso que haja uma organização. Estamos relacionando os hotéis e as pessoas – que atuam como caçadores de turistas – vinculadas a estes estabelecimentos e que estariam inseridas na chamada rede de acolhimento. Na prática, estas pessoas poderiam receber esses turistas porque possuem vínculo com as empresas hoteleiras. Deveria ser assim: o hotel está cheio, então repassa para as casas ou pousadas”, explicou Porto.
O cadastro vai permitir que o “caça-turista” possa atuar nesta função durante o período de veraneio sem que se torne um problemas para as empresas hoteleiras. Entretanto, quem não tiver vínculo com empresas do ramo, corre o risco de responder legamente. “Mas, para isso, estamos estudando uma maneira legal de agir. É certo que o Setor de Fiscalização vai combater tudo o que for ilegal, até porque quem paga imposto (no caso dos hotéis) tem todo o direito de reclamar da concorrência desleal”, argumentou.
Durante a Operação 2 – hotéis e pousadas, o Setor de Fiscalização tem verificado as documentações das empresas. Serão notificadas as empresas que apresentarem irregularidades. Se os problema não for resolvido num prazo de 10 dias, o proprietário poderá ser multado.
No litoral, os empresários comemoram.
Os números para o comércio de beira de praia em Capão da Canoa, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, começaram bem nesta temporada. De acordo com dados da Associação Comercial e Industrial, houve um crescimento de 10% nas vendas dos quiosques na areia nos meses de dezembro de 2016 e janeiro de 2017, no comparativo com o mesmo período de 2015 e 2016, respectivamente.
É possível perceber esse crescimento no entusiasmo dos comerciantes. Há 38 anos no mesmo ponto, o “Quiosque do Caio” atribui a alta ao bom tempo, de sol e mar limpo, deste verão e a grande presença dos argentinos em Capão.
Mas ainda há quem reclame. Assim, como em São Gabriel, em Capão a concorrência desleal causa problemas. No “Kiosque do Agedir”, as vendas caíram pela metade na comparação com o ano passado. O ponto existe há 20 anos na região, 18 no calçadão e dois na areia.
“Está bem mais fraco, comparado com o ano passado. Tem muito ambulante na praia e isso prejudica. Final de semana é quando aumenta mais o movimento”, explica a dona Maria Luiza Gomes.

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1 Comentário

  1. Uma alternativa seria a criação de um local de recepção ao turista, onde estariam todas as empresas formais do setor hoteleiro com seus representantes fazendo a divulgação. Para que isso funcione, uma fiscalização ostensiva se faz necessária, coibindo a atuação de “caçadores” ao longo das ruas e BR290.


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