CASO BENTO: POLÍCIA CIVIL CONCLUI INQUÉRITO E INDICIA “GRUPO” POR HOMICÍDIO QUALIFICADO.

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A Polícia Civil de São Gabriel concluiu na noite de terça-feira (03/01) o inquérito sobre a morte do policial militar Bento Júnior Teixeira Borges, de 36 anos, agredido por um grupo de pessoas em uma briga no estacionamento do Posto Batovi. O policial estava de folga e tentou acabar com o conflito, mas terminou sendo espancado por integrantes do chamado Bonde do João de Barro.
Na briga, o policial militar matou um adolescente de 16 anos – João Gabriel Ferraz da Silva, esfaqueou um dos agressores – Silvio Jobim D’Ávila, de 36 anos e baleou um terceiro elemento, identificado como sendo Alisson de Quadros Fagundes, de 19 anos. Este último, segundo as investigações, teria ameaçado o policial e ido ao encontro do PM logo depois que Gabriel foi alvejado.
De acordo com o delegado de polícia José Soares Bastos, responsável pelas investigações, todos os envolvidos serão indiciados por homicídio qualificado e dano ao patrimônio (em relação ao carro do soldado que foi depredado), além de corrupção de menores no caso dos adultos.

ENTREVISTA com o Delegado José Soares Bastos – VEJA


Localizado e preso em Mathias Velho, em Canoas, um homem – identificado como sendo Anderson Varreiro – vai responder pelos mesmos crimes, mas também por receptação da arma do PM Bento e por ter alcançado os facões para os agressores. No final da violência, ele teria ainda escondido as armas.
Outro adulto, que aparece na imagem atingindo um segundo policial no local do crime, vai responder lesão majorada.
No total, foram identificadas 17 pessoas, mas apenas 15 foram presas. Oito são maiores de idade e sete são adolescentes. Seis foram encaminhados para a Fundação de Atendimento Socioeducativo (FASE) de Santa Maria. A única menina apreendida, uma que aparece várias vezes agredindo o PM e quebrado o automóvel, foi levada para a Fase de Porto Alegre. Os maiores de idade foram encaminhados para o Presídio Estadual de São Gabriel.
“Nós identificamos, no curso da operação, a participação de 17 envolvidos, tanto na depredação do veículo do policial Bento quanto no homicídio investigado. Todos vão responder por homicídio qualificado e dano qualificado. Os maiores (os adultos) vão também ser indiciados por corrupção de menores, tendo em vista que agiram em coautoria com alguns adolescentes”, disse Bastos.
O delegado explica que as investigações mostram que a participação dos envolvidos é distinta, no entanto, no entender da Polícia Civil, todos devem responder pelo dano e pelo homicídio. “Porque, se não fosse a atuação de todos eles reunidos, o resultado – a morte e o dano – não ocorreria. Uns agiram e reforçaram a vontade de outros”, argumentou o delegado.
Quanto a questão envolvendo a presença de mais dois policiais militares (de folga) no local e os vídeos gravados por um deles, o delegado admitiu que a Polícia Civil não irá autuá-los. “Entendemos que trata-se de crime militar e por isso deve ser apurado pela Brigada Militar por meio de um Inquérito Policial Militar (IPM), de competência da Justiça Militar”, explicou.
A investigação recaiu sobre dois PMs depois da divulgação de imagens feitas com celular e que mostram que os dois estavam no posto Batovi no momento em aconteceram as agressões. As cenas mostram o policial sendo espancado e atirando em um adolescente. O outro soldado, que sofreu um corte no pescoço, se aproxima de Bento, mas sai do local de carro, deixando o colega para trás.

INQUÉRITO MILITAR
O tenente Adriano Veras, comandante em exercício do 4º Esquadrão da BM, disse que está sendo analisada a conduta de cada um deles (dos PMs) a fim de apurar se houve ou não algum tipo de omissão por parte deles.
Os dois PMs já prestaram depoimento à BM, que tem até o final do próximo mês para concluir o Inquérito Policial Militar (IPM). Além disso, foi aberta uma sindicância especial para apurar a conduta do policial morto. Na prática, o resultado pode garantir ou não aposentadoria integral à mulher do PM, além de uma promoção póstuma para a vítima e uma condecoração por ato de bravura.
Para a Polícia Civil, o PM que filmou as agressões disse que o grupo estava em maior número e alegou que não estava armado. “Ele disse que temeu pela sua segurança e da companheira, motivos para não ter ajudado o colega”, relatou o delegado Bastos.
O outro PM disse que não puxou a arma para evitar uma “chacina”. Se tivesse atirado, teria que ter matado uns quantos ou ter morrido. Ele optou por sair do local.

MENOR TEVE PARTICIPAÇÃO DIRETA, APONTA INVESTIGAÇÃO
Depoimentos de envolvidos no crime confirmam que o menor João Gabriel teria sido uns dos primeiros a agredir o policial. Na imagem das câmeras de segurança do Posto Batovi, o adolescente aparece atingindo o PM Bento e logo depois sai correndo. Ele é perseguido e baleado.
As imagens (que não são as mesmas divulgadas em redes sociais) são mais definidas e mostram um ângulo aberto do local do crime. Nelas, aparece o princípio das discussões, a participação de todos os identificados no crime e a presença dos PMs de folga. É bem claro também os disparos efetuados pelo PM e o momento em que ele pega o facão, que fica ao lado do adolescente João Gabriel (caído), e atinge Silvio Jobim D’Ávila, que também lhe atacava.
Por cerca de 10 minutos, o grupo segue se revezando em agressões ao PM caído e desacordado e momentos de depredação ao veículo dele, parado próximo as bombas de gasolina.

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1 Comentário

  1. devia ter sacado a arma e matado quantos fossem preciso não fariam falta mais o policial vai fazer falta na nossa cidade.


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