PARA UNS MUITO. PARA OUTROS, POUCO! Denúncia indica que produtores rurais são beneficiados com água, em excesso, que deveria atender igualmente lavoureiros.

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Produtores participaram de reunião na sede da Conságua na tarde de quinta-feira. Foram discutidas medidas para solucionar problemas de falta de água, mas também foram apresentadas denúncias que sugerem irregularidades na distribuição de água pelos canais. A denúncia será apresentada ao Ministério Público

A água é um imprescindível recurso natural, considerado como estratégico em razão da sua importância para a vida das pessoas e das sociedades e também por não se distribuir de forma igualitária no globo, havendo regiões que possuem menos e outras mais. Por essa razão, os recursos hídricos sempre foram motivos, ao longo da história, de debates e disputas. No entanto, o que foi algo em menor grau no passado tem se tornado a grande tônica nos últimos anos.
A região do Bolso e Canas, no interior de Santa Margarida do Sul, tem tudo para ser um exemplo de como a água pode se tornar, mesmo em locais onde há um sistema organização de armazenamento, estopim para questões judiciais.
Cinco produtores rurais vão entregar ao Ministério Público Estadual (MPE), ainda esta semana, denúncias que colocam em xeque o sistema de distribuição de água para irrigação de lavouras no interior de Santa Margarida do Sul. O alvo são as barragens Vac 6 e Vac 7, ambas na bacia das Canas, administrada pela Conságua, com sede em São Gabriel. Na denúncia, pelo menos, dois lavoureiros aparecem com beneficiários na distribuição de água para suas lavouras. Em contra partida, os demais plantadores da região já contabilizam prejuízos e trabalham com racionamento. Para alguns, á água sequer chega.
Segundo a Conságua, dois canais permitem que a água que sai da Barragem Vac 6 chegue até as lavouras através de comportas que foram construídas em pontos de acesso as propriedades.

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A água foi represada no final do canal e é impedida de passar para a lavoura de Adelar Mozzaquatro

A quantidade de água liberada para cada lavoura também é controlada pela empresa. Na teoria, é claro, pois na prática a própria Conságua admite que já foram confirmados casos em que produtores romperam cadeados e abriram os acessos sem autorização ou controle da concessionária. Mesmo assim, nenhuma punição ou multas foram aplicadas aos responsáveis.
A Conságua garante que não há tratamento especial. De acordo com o administrador, Jorge Vidal, a água que saí da barragem é suficiente para atender todos os produtores e deveria estar chegando a todas as propriedades.
Não é o que acontece. O produtor Adelar Mozzaquatro é um dos mais prejudicados. Como não chega pelo canal, ele utiliza água direto do Rio das Canas. Mas já está tendo prejuízo devido a escassez.
“O arroz, a partir do 7º dia de plantio, se não for aguado diariamente começa a ser prejudicado”, comentou o produtor, que plantou 170 hectares e prevê prejuízo com a perspectiva de falta d’água.
Outro produtor preocupado com o caso, Paulo Gilberto Derzete, vê com preocupação a situação que pode ser formar nos meses de janeiro e fevereiro.
“Minha preocupação é com o futuro. Hoje, estamos brigando por um pouquinho aqui, um pouquinho ali… Mas em fevereiro, como vai ser?”, questionou.
O administrador Jorge Vidal garante que, de acordo com os níveis atuais das barragens, a capacidade de atingirem o final do período de irrigação, com previsão final para fevereiro, não será afetada.

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Produtora denunciou uso de canos de tomada inferior para desviar irregularmente água para lavouras

“Mas isso é com base na situação atual. Isso pode mudar daqui há 10, 15 ou 20 dias… Não dá para afirmar com certeza”, argumentou.
É essa dúvida que os produtores não admitem ter.
A denúncia que será encaminhada ao MP trata desta questão e revela suspeitas de obstruções no curso normal de água pelos canais, e ainda questiona o uso de bombas de água para captação para lavouras.
Na propriedade de Rosélba Saccol foi denunciada a existência de canos de tomada inferior sem autorização do operador de sistema. A água sai do canal, que passa ao lado da sede da fazenda, e cai numa lavoura existente em uma propriedade vizinha.
Sem falar no desperdício. Em um destes “desvios”, água alaga um campo antes de chegar a plantação de arroz. Curiosamente, a alguns metros dali, a lavoura de Adelar Mozzaquatro sofre com a falta de recursos.

PEDIDO DE PROVIDÊNCIA
Entre as medidas solicitadas a empresa concessionária está a verificação da vazão de água em uma bomba instalada no reservatório da Barragem Vac 7, de uso particular, e que é mantida em funcionamento diariamente.
Na visão dos produtores denunciantes, essa bomba estaria prejudicando o abastecimento das demais lavouras, além de estar utilizando uma quantidade de água superior a estabelecida para a área contratada.

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