MILHARES DE SERVIDORES PROTESTARAM EM PORTO ALEGRE.

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O deputado estadual Jeferson Fernandes (PT) denunciou em um vídeo publicado nas redes sociais no início da tarde de quarta-feira (14/12) que o governo José Ivo Sartori (PMDB) está preparando uma manobra na Assembleia Legislativa para colocar nesta quinta-feira em votação o pacote encaminhado pelo Executivo que prevê a extinção de fundações, demissão de servidores e privatizações, entre outras medidas.
Segundo o parlamentar, foi convocada uma sessão da Comissão de Constituição e Justiça para acelerar a cassação do deputado Mario Jardel e garantir, assim, mais um voto a favor do governo. Além disso, ele garantiu que a Brigada Militar vai sitiar a Praça da Matriz para evitar a mobilização dos servidores.
“Agora há pouco soube que a CCJ está sendo chamada para uma reunião às 13 horas com o intuito de cassar o deputado Jardel de forma antecipada amanhã. Com isso, o governo teria mais um voto com aquele que assume essa vaga. E, ao invés de fazer a sessão na semana que vem, faz na quinta-feira, sem a mobilização e sem o acesso do povo à Assembleia Legislativa. A Brigada Militar, a partir de hoje, vai sitiar a Casa, que seria a Casa do Povo, impedindo a participação dos servidores. Nós, da bancada do PT, vamos tomar providências do ponto de vista jurídico. É fundamental que todos e todas venham para a praça ocupar esse espaço e não deixar mais um golpe acontecer aqui no Estado do Rio Grande do Sul”.
Na terça-feira (13/12), milhares de educadores de todo o Estado, servidores e estudantes realizaram um Ato Unificado contra o pacote de medidas, no Largo Glênio Peres, em Porto Alegre, que culminou com um protesto em frente ao Palácio Piratini.
A mobilização reuniu servidores de diversas áreas como os da segurança, representantes das fundações ameaçadas de extinção e estudantes em repúdio as consequências das medidas previstas no pacote.
Ao mesmo tempo em que o protesto era realizado em Porto Alegre, o Senado aprovava a PEC 55, que congela investimentos, principalmente nas áreas da educação e saúde, por 20 anos, por 53 votos a 16.
Às 13 horas, professores e funcionários de escola concentraram-se em frente ao CPERS e do local saíram em caminhada, junto com representantes do Semapi, até o Largo Glênio Peres onde o Ato ganhou mais força com a união dos demais servidores. No local, Josué Martins, presidente do Sindicato dos Auditores do
Tribunal de Contas destacou que de cada R$ 100,00, as fundações representam para o Estado apenas R$ 0,40. Um boneco representando Sartori, seguido por um pacote que representava o pacotaço do governo abriu a caminhada e foi conduzido por educadores até o Palácio.
A Brigada Militar dispersou com bombas de gás, balas de borracha e cavalaria o ato contra a PEC 55, o governo Temer e o pacotaço de Sartori que reuniu, no início da noite de terça alguns milhares de manifestantes no centro de Porto Alegre. A manifestação foi tensa desde o início, na tradicional concentração realizada na Esquina Democrática. Antes de iniciar a caminhada, a Brigada Militar deteve um estudante que carregava bolitas em sua mochila. Sob protestos de seus colegas, o manifestante foi levado para o posto da Brigada no Largo Glênio Peres. Ali, os homens do Batalhão de Choque da BM fizeram sua primeira formação para barrar os estudantes que protestavam contra a detenção de seu colega que, mais tarde, acabou sendo liberado.
No ato desta terça, a maioria dos manifestantes era de estudantes secundaristas e universitários, além de servidores do setor público. O cenário de guerra no centro da Capital e na Cidade Baixa indicou que o país vive tudo, menos uma situação de normalidade democrática.

GREVE DOS PROFESSORES
A greve dos professores tem baixa adesão nas escolas na rede estadual em São Gabriel. Algo considerado normal, segundo o diretor do 41º Núcleo do Cpers-Sindicato, professor Pedro Moreira. O movimento, na verdade, tem como foco as ações em Porto Alegre com mobilizações contra os projetos que estão em votação.
A Secretaria da Educação disse que está monitorando a greve, mas não vai divulgar balanço de adesão ao movimento. O Cpers avalia se divulgará um balanço ainda hoje.
A greve foi convocada na última quinta-feira contra o pacote de medidas do governo do Estado para tentar conter a crise financeira. Além disso, os professores defendem a garantia do pagamento em dia do 13º salário e o fim do parcelamento salarial mensal.

POLÍCIA
Na assembleia realizada em frente ao Palácio da Polícia, na terça-feira (13), os policiais aprovaram por aclamação as seguintes propostas: – Paralisação dos trabalhos durante os dias em que ocorrerem a votação do Pacote do Sartori/PMDB; – Boicote às operações policiais a partir de hoje, até a finalização do processo de votação do Pacote. Nenhum agente deverá participar de operações enquanto o pacote não for votado. A avaliação da assembleia é de que o governo tenta melhorar sua imagem em cima do trabalho dos policiais, sendo que para combater a criminalidade são necessárias outras medidas, como investimentos; – Repúdio à Reforma da Previdência do governo Temer/PMDB; – Indicativo de greve; – Envio de caravanas a Brasília para pressionar o Congresso contra a Reforma da Previdência.

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