PROTESTOS FORAM REALIZADOS EM MAIS DE 200 CIDADES BRASILEIRAS.

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Com a segurança reforçada, milhares de pessoas vestidas de verde e amarelo e com a bandeiras do Brasil se reuniram no domingo (04/12) em cerca de 200 cidades, entre elas Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. O protesto foi em defesa da Operação Lava Jato e contra o pacote de medidas anticorrupção aprovado com modificações pela Câmara dos Deputados na madrugada do dia 30 de novembro. Segundo a Polícia Militar do Distrito Federal, na Esplanada dos Ministérios até as 11h15min entre 4 e 5 mil pessoas participaram pacificamente do protesto. Para os organizadores, foram mais 15 mil manifestantes. Entre os movimentos que convocaram os protestos, estão o Vem pra Rua e o Avança Brasil.
As manifestações foram permitidas apenas no gramado da Esplanada dos Ministérios, a partir da Catedral de Brasília até a Avenida das Bandeiras, mas alguns manifestantes conseguiram chegar próximo ao espelho d’água do Congresso Nacional, onde espalharam desenhos de ratos, simbolizando, segundo eles, os políticos.
A Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social do Distrito Federal montou um forte esquema de segurança e retomou as revistas na Esplanada, após os incidentes do último dia 29, durante os protestos contra a PEC dos Gastos, quando houve confronto entre manifestantes e policiais.
O efetivo de policiais militares foi de 1,5 mil homens, conforme informou antes das manifestações o Governo do Distrito Federal (GDF). O esquema contou ainda com agentes do Detran e bombeiros. A Polícia Civil informou que todos os departamentos funcionaram.
As forças de segurança orientaram os manifestantes a não cobrir o rosto, não usar guarda-chuva, não portar objetos cortantes ou garrafas de vidro. Foi recomendado ainda ter um documento de identificação e evitar celulares e objetos de valor.
A maioria dos manifestantes portava faixas contra o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e cartazes com frases como “Somos todos Sérgio Moro”, “Fora Corrupção”, “Estamos de olho: a Lava Jato não será sabotada”, “Fim do foro privilegiado” e “Pressa do julgamento de políticos no STF”.
No Rio de Janeiro, centenas de pessoas se aglomeraram nos cerca de 800 metros que separam os postos 4 e 5 da Praia de Copacabana, em manifestações contra a decisão da Câmara dos Deputados de aprovar, com alterações, a proposta de emenda à Constituição (PEC), de autoria popular e que reuniu 2,5 milhões de assinaturas, com 10 medidas de combate à corrupção.
O protesto na cidade atendeu convocação do Movimento Vem pra Rua, Associação dos Magistrados do Rio de Janeiro (Amaerj) e Associação do Ministério Público do Estado (Amperj). Na avaliação dessas entidades, “a manifestação é uma oportunidade para que todos se juntem contra a responsabilização criminal de juízes e membros do Ministério Público”.
Durante o ato, centralizado nas ruas Miguel Lemos, Xavier da Silveira, Bolívar e Barão de Ipanema, os manifestantes gritavam palavras de ordem e ostentavam slogans em cartazes e bandeiras, entre eles “Diga não a esse absurdo. O que o povo pedia? Prisão aos corruptos! O que eles entregaram? Prisão a juízes e promotores”, “Podem até calar a Justiça, mas não podem calar a voz do povo”, além de palavras de ordem como “Fora Renan”, “Fora Maia” e “Viva Moro” e “Viva Marcelo Bretas”, em alusão aos juízes que iniciou a Lava Jata e determinou a prisão do ex-governador Sérgio Cabral.

Alvos de protestos, Renan e Câmara dizem respeitar protestos
Dois dos principais alvos dos protestos que ocorrem neste domingo (04/12) em diversas cidades brasileiras, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e a Câmara dos Deputados divulgaram nota defendendo legitimidade das manifestações e afirmando respeitar os atos.
Segundo Renan Calheiros, o Senado Federal continua “permeável e sensível às demandas sociais”. No comunicado, Renan lembra dos atos de 2013, quando milhões de pessoas foram às ruas. Segundo ele, os senadores votaram 40 propostas contra a corrupção em menos de 20 dias, “entre elas a que agrava o crime de corrupção e o caracteriza como hediondo”, afirmou.
Já o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, divulgou uma nota em nome da instituição classificando os protestos como legítimos e democráticos. “Manifestações desse tipo, em caráter pacífico e ordeiro, servem para oxigenar nossa jovem democracia e fortalecem o compromisso do Poder Legislativo com o debate democrático e transparente de ideias”, escreveu.
Em capitais como Brasília, Rio de Janeiro e Salvador, os manifestantes criticam as alterações no pacote de medidas anticorrupção, aprovado na noite da última terça-feira (29) pela Câmara. Um pedido para acelerar a votação no Senado chegou a ser colocado em pauta por Renan, mas foi rejeitado pelos senadores.
Os manifestantes também portam faixas em apoio à Lava Jato e a Sérgio Moro, juiz federal responsável pela condução dos processos decorrentes da operação. Na última quinta-feira (1º), o Supremo Tribunal Federal decidiu aceitar denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o presidente do Senado, pelo crime de peculato, tornando-o réu.
“O presidente do Senado, Renan Calheiros, entende que as manifestações são legítimas e, dentro da ordem, devem ser respeitadas”, disse ainda Renan, no comunicado.

Protestos aconteceram em Porto Alegre
Embalados pelo ritmo de uma mini-bateria de samba em um caminhão de som e discursos curtos e gritos como “fora Renan” e “fora Maia”, milhares de pessoas, com rosto pintado de verde-amarelo, com bandeiras do Brasil e também enroladas no símbolo pátrio, protestaram na tarde de domingo no Parcão, em Porto Alegre, atendendo convocação dos movimentos Vem pra Rua e Brasil Livre.
As manifestações, a exemplo de outras capitais no país, foram contra as manobras dentro Congresso para diminuir a punição aos políticos envolvidos em casos de corrupção, contra a tentativa de criminalizar o Judiciário e a favor da continuidade das investigações da Operação Lava Jato.
Na esquina da Avenida Goethe e rua Mostardeiro, motoristas respondiam com buzinaços. “Tem que fazer uma grande faxina geral no Congresso e também em setores do Judiciário”, afirmou a professora aposentada Leni Terres, com a concordância da sua colega, também aposentada, Joana Bomfim. Por volta das 16h , a presença de manifestantes aumentou.
Cartazes com “Fora Renan”, “Somos todos Moro” e “Fim do Foro Privilegiado” marcaram a participação no protesto. “Virou roubalheira geral, não há como aliviar políticos, independentemente de seus partidos, eles querem parar o povo, mas isso não vai acontecer, queremos liberdade para o MP e Justiça”, afirmou o técnico em enfermagem Renan Medeiros, enrolado na bandeira do Brasil”, segurando uma buzina.
No meio da multidão havia apelos diferenciados. “É de seda pura, por apenas R$ 20”, gritava João Antônio Ribas. “Já faturei mais de R$ 200 disse o vendedor de bandeiras do Brasil. Em cima do caminhão alguém no microfone puxava “da lhe, da lhe Moro, da lhe ô”. Aproveitando o clima para fazer algumas selfies o casal Mônica Maia e Paulo Lima afirmou, quase em uníssono, que “os políticos acham agora que só porque a Dilma saiu podem fazer o que quiserem, mas se enganaram. Queremos respeito, fim do roubo e cadeia para eles” .

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