ALUNOS DA CELESTINO REALIZAM CAMINHADA DE “CONSCIENTIZAÇÃO NO TRÂNSITO”. FAMÍLIA DE VÍTIMA EM ACIDENTE PEDE JUSTIÇA.

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Três gerações pedindo justiça. Avó, mãe e filhas. Foi desta forma, vestindo camisetas brancas com o rosto de Liria Gouveia Siqueira, que a família dela participou de uma caminhada em defesa do trânsito seguro. A mobilização aconteceu na noite de quinta-feira (01/12), entre a Praça Ecológica e a Praça Dr. Fernando Abbott, envolvendo cerca de 250 estudantes e integrantes da comunidade escolar da Escola Estadual Dr. Celestino Lopes Cavalheiro.
O projeto “Conscientização no Trânsito” é desenvolvido por professores e alunos da EJA e tem como objetivo principal chamar a atenção da comunidade gabrielense para as causas e a falta de responsabilidade (do motorista e do pedestre) que ocasionam, na maioria das vezes, os crimes no trânsito.
Liria tinha de 25 anos quando morreu. Ela perdeu a vida após um acidente entre um mototaxi e um automóvel no centro de São Gabriel. Segundo a Brigada Militar, a moto trafegava pela Rua João Manoel por volta das 6h10 do dia 05 de fevereiro deste ano quando teve a preferencial invadida, no cruzamento com a Rua Barão de São Gabriel, por um automóvel Pálio. A jovem estava na garupa e foi jogada contra a parede de um prédio.
Liria ficou internada em estado grave no Centro de Terapia Intensiva (CTI) por cinco dias. Ela não resistiu aos ferimentos. O motorista do automóvel estava embriagado e foi preso em flagrante.

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Familiares de Liria

Passados 10 meses, a família questiona a morosidade da Justiça. A mãe dela, Iara Gouveia Siqueira, de 44 anos, revela que as audiências referentes ao caso ainda não foram marcadas e o motorista, um militar, permanece sem ser responsabilizado.
Com 80 anos, a avó Carlinda Oliveira Gouveia percorreu ao lado da filha e das bisnetas todo o trajeto entre a Avenida Antônio Trilha, Tristão Pinto, Duque de Caxias e Praça Dr. Fernando Abbott com o objetivo de mostrar força e cobrar do Poder Judiciário medidas enérgicas para crimes no trânsito.
Sem saber direito o que aconteceu e a importância delas no movimento, as filhas de Liria – Isabela, com 3 anos, e Isabeli, com 5 – também caminharam com camisetas onde o aparece o rosto da mãe delas e a frase: “Saudades eternas”.
Um novo movimento está marcado para o dia 10 de dezembro, às 19h30min, desta vez com amigos e familiares de Liria. A concentração está marcada para a esquina do 6º Batalhão de Engenharia de Combate, onde a vítima saiu de moto no dia do acidente, e o final da caminhada, na esquina do Corpo de Bombeiros, na Rua João Manoel com Barão de São Gabriel, local onde aconteceu a colisão.

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Professores da Celestino

SOBRE A CAMINHADA
A professora Gislaine Almeida D’Ávila explica que o projeto interdisciplinar foi desenvolvido por ela e pelas professoras Ana Carla Librelotto e Giane DM. As três são responsáveis pelas disciplinas de Língua Portuguesa, História e Matemática da EJA.
“A ideia é chamar a atenção dos alunos – todos maiores de idade – para a importância de termos um trânsito mais gentil e educado. E, depois tornar estes alunos multiplicadores, levando adiante, para as famílias e amigos, esta mensagem de conscientização”, comentou a educadora.
Na opinião dela, hoje, a maioria dos acidentes ocorrem porque existe muita irresponsabilidade ou negligência. “Ou, em outros casos, é falta de respeito mesmo do motorista”, analisou a professora.
A campanha iniciou na noite de quarta-feira (30/11) com a realização de uma palestra sobre trânsito. O evento, realizado no saguão da escola, teve como ministrante o tenente da Brigada Militar, Carlos Alberto de Almeida Dias.
Durante a caminhada, na noite de quinta-feira, os estudantes usaram fitas verdes nos pulsos simbolizando uma homenagem as vítimas do acidente envolvendo o avião da Chapecoense.
O avião Avro Regional Jet 85 (RJ85), que transportava dirigentes e jogadores da Chapecoense, além de jornalistas que fariam a cobertura do primeiro jogo da final da Copa Sul-Americana, deveria ter chegado a Medellín por volta das dez da noite da Colômbia. Pouco antes de iniciar sua descida, perdeu contato com a torre de controle e acabou caindo. Das 77 pessoas a bordo, apenas seis sobreviveram.

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