BALANÇO GERAL: “TODOS SOFREM COM A CHAPECOENSE”.

Matheus Biteco, volante da Chapecoense

Matheus Biteco, volante da Chapecoense

Do grupo da Chapecoense que disputava o Brasileiro e a Copa Sul-Americana, dois eu tive contato direto. Conversei – pouco, na realidade – com lateral direito Cláudio Winck quando ele passou por São Gabriel. Na época, ele jogava pelo Internacional. Pois quis o destino que o Cláudio não fosse relacionado para o jogo e, portanto, não estava no avião que caiu.
O outro atleta, é o volante Matheus Biteco. Com esse, até por ser gremista, eu tive uma conversa mais longa. Foi no CT do Grêmio. Eu lembro que brinquei: “O teu pai sacaneou. Dividiu o talento como jogador com os dois filhos. Se juntasse os pontos fortes de vocês (me referindo a ele e o irmão gêmeo dele), tu, ou ele, seria um dos melhores do Brasil”.
Depois me despedi: “Valeu Guilherme”.
Ele me olhou e disse: “Pô, eu sou o Matheus”. Eu tive que rir. Não foi sacanagem. Eu pensei mesmo que estivesse falando com o Guilherme.
A Nação Tricolor, assim como todo o Brasil, está de luto. A Chapecoense passou a ser o segundo time de muitos torcedores por esse país afora. O Grêmio, em especial, perdeu três atletas (zagueiro William Thiego, lateral Dener Assunção e o volante Matheus Biteco). Sem falar que no avião também estava o ex-jogador da dupla Grenal, campeão mundial pelo Grêmio, Mário Sério, que faria os comentários do jogo pelo Canal FOX Sports.
Na Comissão técnica estavam o treinador Caio Júnior, outro nome de destaque na dupla Grenal, e Anderson Paixão, filho de Paulo Paixão, que, assim como o pai, foi preparador físico de Grêmio e Internacional.

Paulo Paixão e o filho Anderson

Paulo Paixão e o filho Anderson

Numa rede social, Paulo Paixão escreveu: “Não tenho nada a reclamar de Deus”. Paulo Paixão sofre com a morte do segundo filho. Antes, ele já havia perdido o filho Alessandro Paixão, em 2002, vítima de uma ataque cardíaco.
“Eu tenho fé. Tudo que ocorre tem um porquê. A gente crê em um comando maior. Quis o bom Deus que essa situação viesse”, disse Paulo Paixão em entrevista à rádio Gaúcha.
O volante Matheus Biteco vivia o melhor momento da sua vida, dentro e fora de campo. “Ele estava muito feliz, ele estava voltando de uma lesão de púbis que ele tinha operado. Ele estava muito feliz na Chapecoense, porque estava tendo sequência de jogos e também o filho dele nasceu há quatro meses e ele estava muito feliz”, relatou o irmão Guilherme para o jornal Zero Hora.
O avião que transportava a equipe da Chapecoense sofreu um acidente na Colômbia, por volta da 0h30min desta terça-feira (29/11). O aeroporto José María Córdova, de Rionegro, confirmou a queda da aeronave. De acordo com a prefeitura de La Ceja, cidade próxima ao local do acidente, 75 pessoas morreram e outras seis sobreviveram.
Entre os sobreviventes está o gaúcho Alan Ruschel. O lateral ainda pertence ao Internacional. Ele teve múltiplas fraturas nos braços e nas pernas e uma lesão na coluna. Ruschel passou por cirurgia e foi transferido para outra clínica da região.

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