BOMBEIROS DA REGIÃO RECEBERAM 3,6 MIL TROTES NO 1º SEMESTRE DE 2016.

Em 2014, bombeiros deslocaram três viaturas e oito profissionais para combater um incêndio que não existia próximo de uma escola no bairro Nova Santa Marta em Santa Maria (Foto: Jean Pimentel /Agencia RBS)

Em 2014, bombeiros deslocaram três viaturas e oito profissionais para combater um incêndio que não existia próximo de uma escola no bairro Nova Santa Marta em Santa Maria (Foto: Jean Pimentel /Agencia RBS)

O 4º Comando Regional dos Bombeiros (4º CRB) aponta que só no primeiro semestre deste ano, em Santa Maria e Região, o quartel recebeu 3,6 mil trotes por telefone. As informações são da Rádio Gaúcha.
É uma média de 20 até 25 trotes por dia. A situação é considerada grave porque, com o efetivo (de pessoal e equipamento) limitado, caso uma equipe saia para atender a uma ocorrência falsa e ao mesmo tempo ocorra um acidente de fato, por exemplo, esse acidente levará mais tempo para ser atendido – e o tempo pode ser decisivo se houver vítimas.
Na semana passada, em São Sepé, o Corpo de Bombeiros foi chamado para atender a uma ocorrência de incêndio em uma escola. O local era no interior, ou seja, distante do perímetro urbano. Quando a equipe chegou ao destino, percebeu que a denúncia por telefone era falsa.
Em São Gabriel, conforme a Unidade, em média, por dia, são registrados 11 casos de trotes. Na maioria deles, são estudantes (crianças ou adolescentes) que acabam usando de forma irresponsável o fone 193. Por isso, a maioria destas ocorrências ocorrem no começo ou final do expediente escolar.
Mas existem situações graves. Dois casos aconteceram recentemente. Na segunda quinzena de julho, a Unidade deslocou uma equipe para atender um suposto incêndio em veículo. O telefonista foi informado que o automóvel estava estacionado na RS 630, no Bairro Honório, zona sul de São Gabriel.
Quandos os bombeiros chegaram, notaram que se tratava de uma “brincadeira”.
Em outro caso, o responsável pelo trote foi identificado. Por telefone, ele informou que um açude estava pegando fogo no interior do Município. De acordo com o telefonista, o homem fez várias ligações (mantendo o fone 193 ocupado) e insistia que a guarnição se deslocasse para o interior do Município.
E comunicação falsa é crime. O artigo 266 do Código Penal descreve que, em casos de trote, “interromper ou perturbar o serviço telefônico é crime e o infrator poderá incorrer em pena de detenção de um a seis meses ou multa”.
Na região, em novembro de 2015, um trote mobilizou Bombeiros, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e Polícia Rodoviária Federal (PRF) para atender a um acidente na BR-392, em Santa Maria, que não tinha acontecido.
O mesmo aconteceu em maio e julho de 2014 em Santa Maria e Caçapava do Sul, quando se deslocaram para o bairro Nova Santa Marta, para combater um incêndio que não existia próximo de uma escola, e para a BR-153, limite com Bagé, para atender a um acidente que não tinha acontecido.
O capitão Elisandro Machado, chefe de seção em Santa Maria, aponta que 99% dos trotes que chegam por telefone são identificados. O telefonista faz uma série de perguntas-padrão que ajudam na identificação e toma precauções, mas não são métodos 100% a prova de falhas.
“São perguntas que seriam feitas de qualquer forma, mas que dão segurança nesses casos. Por exemplo: pedimos o telefone da pessoa e que ele esteja com ele sempre a mão. Pouco depois de ter encerrado a ligação, nós ligamos para esse número. Caso ninguém atenda, é um indicativo de que pode ser uma comunicação falsa”, explica.
Conforme o capitão Machado, a maioria das ligações são de adolescentes e crianças, já que é simples teclar 193 logo se acredita que a solução esteja na educação, e não uma punição criminal. Os bombeiros têm feito trabalhos junto a escolas e criou o programa para bombeiros-mirim.
“Nós servimos à população e contamos com o bom senso dela”, conclui o capitão Machado.

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