DR. GERSON BARRETO DE OLIVEIRA: “A FESTA”.

Dr. Gerson Barreto de Oliveira

Dr. Gerson Barreto de Oliveira

Gostaria de iniciar a crônica de hoje citando o mestre David Coimbra, que fala de algo há muito perdido: “As pessoas não precisam lutar pela justiça, as pessoas não precisam vencer, as pessoas não precisam nem estar certas. Basta que sejam agradáveis, e já farão diferença”. O que falar mais, é isso mesmo, ser agradável, ninguém mais quer ser agradável.
Admiro o Coimbra, e tenho certeza que os delicados problemas de saúde, e o morar longe da Porto Alegre que ele tanto adora, o fez ver o mundo de uma maneira ampla, sem filtros, palmas para ele.
Lembro que me diziam quando pequeno, que fulano de tal era agradável, e bastava. O fulano não era rico, pobre, feio, remediado, burro ou inteligente, era agradável e bastava isso para que gostássemos dele.
Hoje não se pensa em ser agradável com o próximo, com o farmacêutico, médico, padeiro, o empregado da padaria, e pior, não se pensa em ser agradável com os idosos.
Triste, por que isso ? Vida moderna, pressa, stress, falta de dinheiro, não tenho explicação. Mas posso dizer o que fazer com os que estão no final da vida, e só querem atenção? Faça uma festa.
Já vi muito disso, famílias que, vendo o seu familiar que lentamente começa a partir, comemoram a vida. Não os maus momentos, as dores, as perdas, as palavras não ditas, ou carinho que não faltou naquela hora de aflição ou tristeza, e sim o conforto de tê-lo por não se saber por quanto tempo mais.
Junte a família, os amigos lá da infância, não se preocupe com a bebida, será guaraná (em muitos casos diet), para comer uns sanduichinhos quebram o galho. Caso queira assar uma carne não haverá problemas, só cuidado com o sal. Crianças não podem faltar. Chamem o padre, o pastor, ou qualquer pessoa que venha trazer as palavras do Criador. Chame o vizinho e quem ajuda a cuidar. O parente que há anos não dá notícia por uma briga que todos já esqueceram, não pode ser novamente esquecido. Ele virá sim, porque também já esqueceu do acontecido.
Trilha sonora é importante, desligue a televisão, e pense com carinho na música que se ouvia há 40 anos ou mais. Pergunte o que seu velhinho querido gostava de ouvir, e toque.
Cante, chore, se emocione, fotografe, registre, diga que o ama. Presentes não são necessários, já estará dando amor, que é o melhor da vida. Mesmo assim se quiser um agrado dê flores. Flores para iluminar o sorriso. E todos verão o quão agradável a vida pode ser.
Nota: O Centro de Diálise de São Gabriel comemora junto com seus pacientes que de abril a junho teve o dobro da média de transpnates de um ano. Todos realizados no Hospital São Lucas da PUC, os transplantados passam bem com o seu rim novo.