ASSENTADOS INVESTEM EM FEIRAS PERIÓDICAS.

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A partir deste mês, agricultoras de assentamentos de São Gabriel e de Santa Margarida do Sul voltam a realizar feiras de produtos da reforma agrária. Organizadas pela equipe de assistência técnica contratada pelo Incra, as mulheres pretendem consolidar o espaço de comercialização na área urbana dos municípios.
Nesta semana, foram disponibilizados produtos dos assentamentos Santa Verônica (dia 13), Zambeze (dia 14) e Conquista do Caiboaté (dia 18). A infraestrutura da feira é complementada por equipamentos distribuídos pelo Incra, como barraca, balança e caixas de transporte.
Em São Gabriel, o lançamento da proposta ocorreu no último dia 06, na praça Doutor Fernando Abbott, zona central da cidade. Participaram quatro integrantes do grupo de mulheres do assentamento Guajuviras e uma agricultora do assentamento Santa Verônica (localizado em Santa Margarida do Sul).
Durante todo o dia, elas comercializaram frutas, mandioca, batata-doce, amendoim, panificados, doces e artesanato. Segundo uma das coordenadoras do grupo do Guajuviras, Marilu Lopes Trindade, as vendas movimentaram “quase” R$ 2 mil. “A maioria das feirantes vendeu tudo o que trouxe. Estamos muito satisfeitas. As pessoas compravam de manhã e voltavam à tarde para buscar mais produtos”, conta Marilu.
Ela apostou em pacotes unitários de pães e broas, visando o consumidor “sozinho” ou de “famílias pequenas”. “Eu já tinha observado que as porções menores têm mais procura, então me preparei para atender esse público”, diz a assentada, que vendeu 12 pães grandes, 10 pacotes de pãezinhos e 10 pacotes de 300 gramas de broa. Marilu comercializou, ainda, uma caixa de laranja do céu e duas caixas de bergamota.
Carmem Lúcia Rodrigues da Silva também aprovou a experiência. Assentada há 17 anos no Guajuviras, ela lembra de outras feiras na cidade há cerca de quatro anos. “Não foram tão aproveitáveis como essa, porque ficávamos muito distantes do centro. Dessa vez foi um espaço bem localizado, muito movimentado”. Ela e o marido já iniciaram uma pequena horta para fornecer verduras na próxima feira, programada para julho.
A edição na cidade ampliou o projeto que o grupo de mulheres desenvolve, há cerca de dois anos, com apoio dos professores da Escola Municipal Maria Manoela da Cunha Teixeira. Uma vez por mês, as assentadas utilizam as dependências externas da escola para a Feira da Economia Solidária e Espaço Cultural, momento que vendem produtos e trocam experiências com a comunidade rural de Azevedo Sodré. Estudantes também participam dos eventos, e fizeram uma apresentação musical na abertura da feira na praça de São Gabriel.

OPORTUNIDADE – Em conjunto com profissionais da assistência técnica, será criado um cronograma para realização das feiras. A proposta é executar um rodízio entre os assentamentos para que todos tenham oportunidade de comércio. “Tem muita produção, cada família produz uma coisa diferente. É uma forma de juntar tudo e levar para a cidade”, explica a extensionista Ana Paula Pereira, da Cooperativa de Trabalho em Serviços Técnicos (Coptec).
A logística entre os assentamentos é viabilizada por uma caminhonete doada pelo Incra à prefeitura de Santa Margarida do Sul, a qual repassou a responsabilidade do veículo para famílias do assentamento Santa Verônica. A doação de bens móveis do Instituto considerados inservíveis está prevista no Decreto 99658/1990 e na Norma de Execução nº 100/2011.
Ana Paula revela que a destinação de um local fixo – na área central de São Gabriel – contribui para a geração de renda das famílias e incentiva os grupos de produção. A articulação com o poder público municipal, o legislativo e com as mulheres assentadas iniciou em outubro de 2015. “Agora vimos o efeito positivo na prática. A melhor forma de dialogar com a sociedade são as feiras na cidade, porque divulga a diversidade da produção da reforma agrária”, avalia a extensionista que acompanha as atividades.
Em São Gabriel existem oito assentamentos, onde vivem cerca de 600 famílias – o Guajuviras é mais antigo, criado pelo Incra em 1996. Na cidade vizinha de Santa Margarida do Sul estão assentadas 120 famílias em dois assentamentos, o mais recente deles é o Santa Verônica (fundado em 2014).

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