ESPECIAL: A HISTÓRIA DE QUEM FAZ A HISTÓRIA.

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Nos 16 anos que morei em São Gabriel aprendi a admirar o grande amigo, doutor Dagoberto Focaccia, o mais antigo radialista da cidade, o decano, como dizem. Talvez muitos não saibam que ele não é filho de São Gabriel, embora diga que é a terra que mora no seu coração.
Eu sou um fã de carteirinha dele, para mim, um gênio da radiofonia. É o homem dos sete instrumentos, também: é locutor comercial, noticiarista, narrador de futebol, entrevistador, apresentador de programas musicais, produtor e narrador de externas. E o que tiver pela frente. São quase 70 anos de carreira e uma enorme bagagem de conhecimentos.
E pasmem, Dagoberto já foi até dono de bar e restaurante em São Gabriel. E mexe com o ramo imobiliário, com a sua “Galeria Rosinha”, bem ao lado de sua casa.
Devo a ele a gentileza de um dia ter colocado o local a disposição do G.E. Gabrielense, quando de seu retorno ao futebol profissional. Ali os atletas de fora moraram, por alguns meses, sem que nada fosse cobrado.
“Dagô”, como é carinhosamente chamado pelos amigos, nasceu em Pelotas, no dia 7 de maio de 1936. Filho do casal Matheus e Rosinha Focaccia, que se conheceram e casaram na “Princesa do Sul”, onde moravam.
Depois, em São Gabriel, para onde se mudaram, Matheus foi proprietário do Engenho Gabrielense, que marcou época na cidade. Eu consultei o amigo Osório Santana Figueiredo, a respeito do Engenho Gabrielense, e ele gentilmente me mandou a seguinte resposta:
Meu caro Nilo. Lembro de três engenhos de grande porte de descascar arroz: o Santo Antônio, o velho. Tinha muita pena de um homem velho que bombeava à mão a água para sustentar o locomóvel. Era à manivela e protegia os joelhos com uns sacos de estopas sempre molhados.
Pobre velho. A água era de um açude que ficava, onde, hoje é o pátio dos extintos engenhos. Ao lado tinha outro que chamavam de engenho novo. Mais tarde passou todo aquele complexo a chamar-se Foccacia e Cia Ltda, dirigido pelo seu Matheus Foccácia, pai do Dagoberto.
No outro lado dos trilhos ao chegar à cidade, havia o Engenho São Sebastião, todo de zinco. Era tão lindo que parecia um monumento. Sem dúvida uma beleza de construção.
Em dezembro de 1938 houve um incêndio à noite. Diziam que seu proprietário mandara botar fogo para receber o seguro. Era comum na época em São Gabriel.
Essa febre de incendiarem as firmas levou o nosso Ney Faria a por nas “PIPOCAS”: “Em Lavras do Sul, certa manhã, chamou a atenção da população um balde cheio de água em chamas no meio da rua.
13219593_10209577109855214_194615933_nLogo atenderam todos, mas ao chegarem lá notaram que o balde era de São Gabriel, aí retiraram-se sem darem a menor importância”. Esse local é conhecido até hoje como o “Engenho queimado”. Teve também outros engenhos de menor importância, mas não lembro. Abraços. Osório.
A mãe de Dagoberto pertencia a tradicional família Rusomano, de Pelotas, a qual teve no grande jurista Mozart Victor Russomano, falecido em Pelotas no dia 17 de outubro de 2010, aos 88 anos de idade, talvez o seu principal nome.
Russomano era doutor em Direito do Trabalho pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, título que obteve em 1962, e também foi ministro e presidente do Tribunal Superior do Trabalho.
No ano de 1946 editou “A Sinfonia dos Pampas” (Echenique & Cia – Pelotas), obra essa um poema de 10 páginas narrando em prosa o cotidiano do povo gaúcho. Esta obra foi um ensaio literário herdado de seu pai Victor Russomano.
Em 21 de junho de 2013, o Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região inaugurou oficialmente as novas instalações do Fórum Trabalhista de Manaus, o qual, em homenagem, leva o nome de Mozart Victor Russomano.
Dagoberto começou a carreira de radialista em 1948, na Agência Gaúcha de Publicidade (AGP), que foi fundada em São Gabriel, por iniciativa dos senhores Ernani Astarita Duarte e Moacyr Neves de Almeida. De lá “Dagô” foi para a Rádio São Gabriel.
A primeira transmissão de futebol na emissora aconteceu em 26 de novembro de 1951, no jogo G.E. Minuano 0 X 4 Riograndense, de Santa Maria, na inauguração do Estádio da Caridade.
O jogo foi narrado por Rubem Pinto, que era o gerente da emissora, tendo Conceição Ávila como comentarista e Dagoberto Focaccia no plantão. Naquele tempo ainda não existia a figura do repórter de campo.
O fotógrafo e amigo José Carlos Conceição, que encontrei em uma das minhas idas a São Gabriel “rezando” na ”igreja” do Marciano Bastos, frente a Prefeitura, contou que uma das primeiras transmissões de futebol acontecidas na cidade, foi de um jogo no campo da 13ª Companhia de Transmissões, hoje Comunicações.
Não lembra quem jogou, apenas que o narrador foi o Osvaldo Nobre, com reportagens de Dagoberto Focaccia. O saudoso Zenon Figueiró Martins era o gerente da Rádio São Gabriel. Na técnica estava o também saudoso Gilberto Pires Rodrigues.
A transmissão foi feita com o uso de uma estação-rádio do quartel, modelo RAD 300, que mandava o som de lá para a rádio em freqüência alta. O capitão Sena, que na época era rádio-amador disse que ouviu o jogo no Rio de Janeiro, onde se encontrava.
O amigo Conceição também foi correspondente da Companhia jornalística Caldas Júnior, em São Gabriel, por muitos anos.
Em 1960 Dagoberto formou-se em Direito, pela histórica Faculdade de Direito da Universidade Federal de Pelotas, tendo sido o orador da turma. No período em que esteve na “Princesa do Sul”, fez parte da equipe de locutores esportivos da Rádio Cultura, comandada por Petrucci Filho.
DAGO 1E teve a oportunidade de conhecer Paulo Gilberto Corrêa, o melhor narrador de futebol que a Zona Sul do Estado conheceu em toda a sua história. Dagoberto era da Rádio Cultura e Paulo Corrêa, da Pelotense, a mais antiga emissora gaúcha e terceira fundada no Brasil. Paulo nos deixou em 2014.
Eu também tive a honra de conhecer Paulo Corrêa. Ao inicio dos anos 60 ele foi para Rio Grande. E anos depois, eu também. Em meu blog http://www.nilodiasreporter.blogspot.com escrevi um artigo sobre o radialista, que está a disposição de todos. Acho que vale a pena conhecer alguns detalhes da vida desse grande profissional.
Dagoberto no retorno a São Gabriel voltou também à Rádio São Gabriel, onde durante muitos anos foi um dos principais locutores, tendo no programa “Show da Noite”, seu carro-chefe. Também narrava futebol e apresentava programas carnavalescos. Foi o criador de vários bordões que ficaram famosos.
Eu era ouvinte assíduo do “Show da Noite”. Dagoberto entrevistava qualquer pessoa da cidade, não importando sua condição social, se era pobre ou rico, branco ou preto.
Lembro de uma vez em que ele entrevistou o famoso “Cavaco”, e fez uma pergunta quase inacreditável: “Você lembra quando foi a primeira vez”. Para quem conheceu o personagem não é necessário qualquer explicação.
Sem a menor dúvida Dagoberto é até hoje o principal nome da radiofonia gabrielense. Foi ele quem deu ao saudoso Domingos Rivas, o fundador da S.E.R. São Gabriel o título honorífico de “Marechal do Futebol”.
Folclórico, criador de frases que certamente vão ficar para a posteridade, sempre a procura de ingredientes novos para enriquecer suas transmissões esportivas. Conhecia os familiares de quase todos os jogadores de futebol da cidade. Dono da audiência mandava abraços e recados para seus fiéis ouvintes.
Certa vez ele inovou nas transmissões do campeonato de Futsal da cidade. A cada gol acontecido, ele chamava o seu repórter de quadra, o amigo Mareque Junior e dizia: “Grita Mareque, grita”. O Mareque, com sua voz possante e agradável enchia o “Chiapettão” com um sonoro grito de gol.
Lembro de um jogo no Silvio de Faria Corrêa, entre S.E.R. São Gabriel e parece que contra o Cruzeiro, de Santiago, mas não tenho bem certeza.
O importante foi o que aconteceu. O repórter de campo, que vou preferir não revelar o nome, de repente informou ao Dagoberto que havia entrado um cachorro dentro do campo de jogo. E o nosso querido narrador não teve dúvidas em perguntar, só para confundir o repórter: “Em lugar de quem”. Seguiu-se um silêncio ensurdecedor.
Eu tive a satisfação de também ter atuado na tradicional Rádio São Gabriel. Cheguei a fazer parte da equipe de esportes como comentarista, e participei de transmissões de carnavais, eleições e outros eventos. E nos sábados a tarde apresentei o programa “Nativismo”, com músicas de festivais.
Algumas vezes comentei jogos da S.E.R. São Gabriel, tendo o Dagoberto como narrador. Foram experiências que jamais esquecerei, pois constatei de perto que o “homem” realmente não tem competidor.
Foi Presidente do Gráfico F.C., da Associação São Gabriel de Futebol e dos Conselhos Deliberativos da S.E.R. São Gabriel e G.E. Gabrielense. Em 1975 concorreu a presidência da Federação Gaúcha de Futebol, enfrentando nada mais, nada menos do que o poderoso Rubens Freire Hoffmeister.
Dagoberto sempre teve intensa participação na sociedade local, e seu nome esteve ligado as principais entidades sociais e esportivas da cidade. Foi presidente do Lions Clube São Gabriel por três vezes, inclusive no ano do Cinquentenário. Dirigiu o Clube Comercial, em seus momentos de maior grandeza e foi diretor social do saudoso presidente Helvécio Prates.
Desde 1982 Dagoberto é sócio e locutor da Rádio Batovi, apresentando diariamente ao meio-dia o programa de avisos “Chasque da Amizade”, com uma grande legião de ouvintes espalhados por todo interior do município.
Eu sempre que visito São Gabriel vou ao bar e mercearia do amigo Djalma Munhos, no alto da XV de Novembro, e enquanto tomo umas e outras cevas geladas, escuto por lá o “Chasque da Amizade”. O Dagoberto sempre tem uma história divertida para contar, o que torna agradável de ouvir um programa que teoricamente tinha tudo para ser chato.
Em meio aos recados para o interior do município, convites para festas e quase intermináveis “reclames”, sempre os comentários do apresentador feitos de forma inteligente, o que dá ao programa um equilíbrio indispensável. De lambuja toca até hinos de times do futebol.
E foi lá que eu ouvi a historinha que segue, em meio a um festival de avisos:
Muitos gabrielenses quando viajavam a Porto Alegre, costumavam hospedar-se num hotelzinho pertencente a um comerciante de nome Vando, que havia morado em São Gabriel. Certa ocasião, um senhor de muito prestígio em nossa cidade foi a capital e hospedou-se no dito hotel.
Passado quase uma semana o hóspede não foi mais visto pelo proprietário. Preocupado com a possibilidade de que houvesse acontecido alguma coisa de ruim com ele, Vando abriu a porta do quarto com a chave reserva e para sua surpresa encontrou um bilhete em cima da cama com estes dizeres: “Depois eu te explico melhor”. Genial.
Lembro que o Dagoberto falava de um tal “Bar Balu”, do saudoso Carlitos da Silva Leite, que ficava nos fundos do Colégio XV de Novembro e onde havia uma mesa de bilhar. Contam que juntava gente só para ver as inesquecíveis batalhas entre os saudosos Margus Condessa, o “Bula” e um tal de “Passarinho” (não era o saudoso Heron Marques Rodrigues), eméritos jogadores.
Conheci o Carlos da Silva Leite, mas não cheguei a ouvir seu programa radiofônico. O “Bula”, também conheci, morava bem pertinho da Sanga do Cangica e era assíduo frequentador do “Bar do Tio”, que ficava bem em frente a sua casa.
“Dagô” também lembrou do tempo em que o ônibus circular pertencia a uma empresa chamada “Jardim da Serra”, que tinha apenas dois veículos, um dirigido pelo seu Rubem e outro pelo seu Hélio. E se viajava para Santa Maria pelo ônibus da empresa “Barin”, cujo motorista era o Eni.
Mas o que eu mais gostei foi a lembrança das missas dominicais na Igreja Matriz, nos tempos do saudoso monsenhor Henrique Rech. O Dagoberto contou que o religioso já estava bem velhinho e meio surdo, e quando alguém ia se confessar tinha que gritar os pecados para ele ouvir e dar a penitência.
E todas as pessoas que estavam na Igreja ouviam. Dizem as más línguas que tinha gente que ia ao templo só para ouvir os pecados dos outros e depois sair a espalhar pela cidade.
Eu e o Dagoberto éramos amigos e clientes do saudoso João Carlos Batista, o popular “Babão”, um dos mais antigos barbeiros de nossa cidade. Em uma das minhas visitas a São Gabriel fui visitá-lo na barbearia junto ao prédio da antiga Proletária, quando tivemos a oportunidade de conversar sobre futebol e política, dois de seus assuntos favoritos.
Ele recém havia chegado de Porto Alegre, onde esteve hospitalizado, e mostrava-se otimista quanto a recuperação da saúde. Infelizmente, tudo correu de maneira diferente. Casualmente, também o Dagoberto foi visita-lo quase no mesmo momento. E o papo se prolongou agradavelmente por um razoável tempo.
Eu conheci muito bem o “Babão”, pois nos tempos em que o velho prédio da Proletária serviu de concentração e moradia para os jogadores do G.E. Gabrielense, por bondade do saudoso Jorge Arraché, firmamos uma sólida amizade. Sou testemunha de que ele era dono de um coração de ouro. Quem chegava em sua barbearia em busca de ajuda, com certeza não saia de mãos vazias.
Pouca gente sabe, mas era ele quem garantia um teto e muitas vezes alimentação para o “Boca”, essa figura popular e querida, conhecida de todos nós. Mesmo após a morte de “Babão”, sua família cuida dele, dando-lhe morada e alimentação.
Outros dois amigos comuns, João Nunes, o “Muquica”, figura popularíssima na cidade e Homero Moura, ex-funcionário da Prefeitura. Os dois se foram deixando muita saudade. Uma curiosidade: eu fiquei sabendo no mesmo dia da morte do Homero, por gentileza do amigo Paulo Bolívar Nascimento que me enviou um recado pelo Orkut.
E o Dagoberto soube por uma coluna que eu mantinha em um jornal na cidade. O Homero eu via seguidamente na Mercearia do Djalma. E o Muquica eu costumava visitar na sua sapataria. O Dagoberto dedicou um bom espaço em sua coluna “As 10 mais”, sobre a partida dos dois.
Sei que o “Dagô” vai ficar feliz, ao saber que a Maria Betânia Ferreira, a “Mulata do Ataíde” lhe mandou um abraço carinhoso. Ela leu no meu blog “Viva São Gabriel”, um artigo que escrevi sobre o Dagoberto, com foto e tudo.
E mandou dizer que o doutor Dagoberto Focaccia, queridíssima pessoa da sua história foi um grande amigo de seu pai, Ataíde Ferreira, diretor da emissora e meu conterrâneo de Dom Pedrito.
E completou: “Foi exatamente como nesta foto que ele ficou e continua na minha memória. Se ele ler este comentário, aqui fica um abraço apertado da Maria Betânia, a “Mulata” do Ataíde, agora vivendo na França, e que ainda hoje falou no Dagoberto com o Renato Rosa pela Internet”.
Uma das histórias mais assombrosas que se conhece em São Gabriel, é a do assassinato da prostituta uruguaia Maria Isabel Hornos, a “Guapa”, segundo se sabe, a mando de uma mulher ciumenta, pertencente a mais alta sociedade da cidade, naqueles tempos de antanho.
Divergência sobre o crime só há uma. O historiador Osório Santana Figueiredo, afirma que o assassino atirou em Maria Isabel escondido atrás de cortinas, e o advogado e pesquisador Dagoberto Focaccia, fervoroso devoto, diz que os disparos vieram da rua.
O doutor “Dagô” costuma ir ao cemitério local para colocar velas no túmulo de “Guapa”. E conta que as pessoas costumam pedir a ela que o amor não acabe, seja eterno.
Passado quase um século de sua morte, “Guapa” é unanimidade em São Gabriel. Há absoluto respeito por ela. Em seu túmulo, no Cemitério Municipal, e na capela ali construída, estão dezenas de placas de agradecimento por graças e curas, além de incontáveis oferendas: anéis e pulseiras, batom, peças de vestuário, vestidos de noiva que são muitas vezes furtados porque as portas permanecem abertas.
Dagoberto esteve sempre presente nos momentos mais marcantes da vida da cidade. Quando foi entregue ao Museu Nossa Senhora do Rosário, a antiga “Igreja do Galo”, uma réplica em fibra de vidro do “Galo Missioneiro”, desaparecido anos atrás, lá estava ele, como um dos principais responsáveis pelo momento histórico.
O médico Manoel Francisco Macedo, entusiasta da cultura local, patrocinou a construção do “Galo”, que foi uma iniciativa do Movimento Cultural de Resgate, criado pelos irmãos Gustavo e Amilcar Varella, contando com a colaboração da ativista cultural Maria Angélica Rey Buere, da advogada Liane Chaves e de Everson Dornelles, Rodrigo João Ramalho, Erico Dornelles, Jussara de Bem Barbosa, Alceu Varella, o jornalista Marcelo Ribeiro, entre outros.
O radialista Dagoberto Focaccia foi sempre um dos maiores divulgadores da história do “Galo”, sendo que por várias vezes, falou sobre sua busca e onde poderia estar. Na condição de pesquisador, explicou que o “Galo” foi trazido da Europa por volta do início do Século XVI, e levado às reduções jesuíticas nas Missões.
E foi trazido de lá em 1805, pelo Marechal João de Deus Menna Barreto, e roubado no dia 11 de setembro de 1985 do alto da nave da Igreja, que seria demolida parcialmente logo após.
Em 2009 o tradicional “Bloco da Geni”, a mais popular entidade carnavalesca da cidade prestou uma justa homenagem ao grande radialista, com o samba-enredo de autoria de Marcel da Cohab, Markinhus Muleke e Brenner: “Dagoberto Focaccia, o bam-bam-bam da comunicação. Tá certo, então!”
Sacode minha cidade que é só felicidade/A multidão está feliz/É Dagô, (Dagô) é Dagoberto/No carnaval da Geni/Imperatriz (refrão)/Cheia de alegria/Geni chegou pra cantar mestre Dagô/“No ping, no pong, no pong, no ping”/A emoção/O carnaval sua paixão/A Zona Norte o consagrou um campeão/No rádio é capacidade e competência/O “bambambam” é referência/Uma história de respeito e valor/Alô cidade, interior!/O “Chasque da Amizade”/No “Show da Noite”, uma lembrança, uma saudade/Sucesso, interatividade/À família dedicação e muito amor/O comentário irreverente das coisas da nossa gente/Eu tô na área, eu tô/Tá certo então/É Dagoberto Foccacia a voz do cidadão/É um colosso, é fenomenal/É Dagoberto em “Ritmo de Carnaval” (bis)/Um homem querido e respeitado/Jornalista e advogado/Na roda de amigos o mais exaltado/Adorado em todo lugar/“Aqui, ali, acolá”/No futebol grito de gol pode vibrar/Na Terra dos Marechais entre os dez tu és o mais/O povo gabrielense ama você!!!
Em outro samba enredo, “A era das comunicações. De lá pra cá tudo mudou, daqui pra lá, como será que vai ficar?”, de Jukinha do Império e Marcel da Cohab, para a “Escola de Samba Império da Zona Norte”, Dagoberto também foi lembrado nesse verso:
De lá pra cá tudo mudou/Daqui pra lá como será que vai ficar (como será?)/“Dagô”, da gosto de ver/Nossas imagens refletidas na tevê (bis)!!!
Em 2010 Dagoberto foi homenageado pela Liga de Futsal. O campeão municipal da Série B recebeu a “Taça Doutor Dagoberto Focaccia” das mãos do próprio homenageado.
Em 2011, Dagoberto foi um dos homenageados pelo tradicionalista Evaristo de Oliveira, quando das comemorações dos 27 anos de seu programa “Rodeio na Querência”, apresentado por ele e sua filha Elizandre Obaldia na Rádio São Gabriel.
Ainda em 2011, depois que lancei o livro “100 anos de futebol em São Gabriel”, com satisfação li o que o doutor Dagoberto escreveu em sua coluna, “As 10 mais de Dagoberto Focaccia”, a mais lida entre todos os jornais da cidade:
“Colosso. Sim, colossal, maravilhoso e espetacular o livro “100 Anos do Futebol em São Gabriel”, de autoria do escritor e jornalista NILO DIAS”.
Em 2013, o doutor “Dagô”, por sua atuação como produtor rural, foi um dos homenageados pelo Sindicato Rural de São Gabriel, por ocasião de sua 79ª Exposição Feira.
Ainda em 2103, Dagoberto deu um grande susto aos seus familiares e amigo. Foi durante a entrega do “Troféu Arcanjo”. No momento em que o secretário de Transportes, Lizandro Cavalheiro, se dirigia para receber o seu troféu, “Dagô”, que também seria homenageado, sentiu-se mal devido a pressão alta, tendo uma convulsão no local, o que assustou a todos. Lizandro, inclusive optou por não receber mais o troféu naquela noite, devido ao abalo.
A organização retomou o evento, após diversas reuniões com os homenageados e, depois da confirmação do médico Giancarlo Bina, de que “Dagô” estava na CTI e não corria risco de vida, porém, só foi feita a entrega da premiação sem a leitura dos currículos do restante dos homenageados.
Em 2015, a senhora Anna Maria Focaccia, esposa de Dagoberto, recebeu o “Troféu Dona Quimquim”, entregue durante o “Baile da 81ª Exposição Feira de São Gabriel”, por sua colaboração com o agronegócio e também com a comunidade gabrielense. Ela é presidente da Liga Feminina de Combate ao Câncer.
Dagoberto e Ana Maria tem três filhos, o produtor rural André, a professora Anna Martha e a jornalista Ana Rita.
No dia 7 de maio, Dagoberto completou 80 anos de idade, coisa que Deus reservou para muito poucos. “Dagô” é um deles, pois fez sempre da vida um aprendizado que se renova a cada ano. Nunca fez mal a ninguém, muito pelo contrário, é uma daquelas pessoas que a gente costuma dizer que é do bem.
Dagoberto, acompanhado de toda a família foi comemorar os 80 anos em Rivera, Uruguai. Foi um final de semana feliz, de muita alegria. Mas ao retorno a São Gabriel, um susto enorme. O que já acontecera em 2013, se repetiu.
Teve um mal súbito, e foi imediatamente encaminhado a Santa Casa. E na quarta-feira, 11, foi levado para Porto Alegre, onde passou por uma bateria de exames. Os familiares sabem que de agora em diante terão cuidados redobrados com o nosso “rei do rádio”. Mas tudo vai dar certo.
Nada melhor que terminar esta homenagem ao nosso querido doutor Dagoberto Frederico Russomano Focaccia, com uma declaração de respeito, de admiração, de reconhecimento e de amor de sua filha Ana Rita:
Nilo, não esquece de colocar aquela foto dele menino com a mala (1938), letrinha da mãe dele, chegando em São Gabriel. É muito simbólica, e tem um significado todo especial para ele, Para nós a família? Nem preciso te dizer.
Benza a Deus eu sou filha dele. Pois o amo muito. Desde já quero te agradecer por tudo, pois homenagear quem ainda faz história, tem imenso valor. Homenagem em vida. Feita por um amigo dele. Isso não tem preço. Tem VALOR. E eterna gratidão
Eu fico só imaginando o título que vais dar a história de quem faz história. Meu pai, meu amor, minha vida. Meu querido, meu velho, meu amigo, sempre canto para ele (em silencio), para ele não se emocionar, mas eu canto e choro em silêncio de amor e de orgulho.
Meu pai, meu amante da vida e do que a vida dá. Eu sou louca por ele, amigo. Eu amo ter um pai como ele, que conhece da vida as alegrias, as dores, a “noite” que ele sempre amou e sempre tratou com respeito e carinho, as “farras”, as pessoas.
E, por conhecedor da noite e ativo participante, sempre se fez e se tornou amigo de todos e de todas. Um sábio. E um exemplo para mim que sempre soube de tudo, pois me ensinou, nas entrelinhas, o que significa respeito e consideração. (Eu? Acho que aprendi amigo).