DR. GERSON BARRETO DE OLIVEIRA – “O FILHO DA PERDA”.

Dr. Gerson Barreto de Oliveira

Dr. Gerson Barreto de Oliveira

Nenhuma dor é maior que um pai e uma mãe enterrarem um filho, é a dor indescritível, contrária a natureza. O certo é o filho enterrar seus pais, mas algumas vezes a lógica subverte, e resta levar todo apoio possível à essas pessoas que sofrem.
Morando em Brusque – Santa Catarina fiz amizade com um casal, eles tinham um garotinho lindo, loiro, olho azul como uma piscina, e aos 5 anos, um danado.
O casal já tinham uns 45 anos os dois, ela tivera problemas para engravidar até que economizaram e fizeram inseminação artificial para esta gravidez tão desejada. Toda vez que aparecia na loja deles só ouvia a zoeira do guri.
Brusque fica afastada do litoral uns 30 Km, e no verão o calor é abrasador, muito pior que o dia mais quente de São Gabriel. Por ser zona de mata, à tarde cai uma chuvarada colossal, só para no dia seguinte começar tudo de novo.
A classe mais abonada tem seus casarões na parte alta dos morros, deixando os menos endinheirados com a parte de baixo, sujeita à inundações, que vez por outra aparecem na TV.
Numa tarde, antes da costumeira chuva, o filho destes amigos convidou um amigo para pular um muro e roubar um banho rápido de piscina, numa maravilhosa mansão que tinha em cima do morro, a casa deles era no sopé da elevação.
Ao pularem o muro, se depararam com a casa deserta. O caseiro não estava, e a família tinha viajado para perto do mar. O mais velho não quis entrar, mas o peralta bancando o destemido foi, e pulou.
Ao ver o amigo se afogar o menino se desesperou e foi buscar ajuda em casa, desce morro, sobe morro, infelicidade total. Levaram o pequeno indômito para o hospital em morte cerebral, durou dois dias só o coraçãozinho batendo.
Fui no velório, o avô sibilava um lamento sentado. O pai, estático, recebia os cumprimentos sem poder falar, e a mãe chorava abraçada ao seu tesouro perdido. Não havia culpados, só o vazio.
Duas semanas se passaram e aquela mulher ainda com o rosto devastado me procurou. Ela queria um atestado de saúde, “ minha família está destruída, tenho que fazer alguma coisa, não posso perder mais ninguém “, o avô infartara, e o pai continuava mudo e estático da mesma forma que eu o vira antes.
Há mulheres admiráveis, essa é uma, ela se movimentou rápido, e para minha surpresa conseguia adotar um bebê antes do tempo, fui novamente dar-lhes um abraço. Comovente ver a maré de alegria que voltava em ondas àquele lar antes tão sofrido.
Um ano se passara desde os infelizes acontecimentos e aos 47 anos aquela mulher surpreendeu a todos, sem tratamento algum voltou a engravidar, teve uma menina, linda, loira, e de olhos azuis como uma piscina.
Existe uma denominação para isso, é o chamado Filho da Perda. A dor é tão grande que o ser humano na busca desesperada por continuar a sobreviver encontra uma solução, tendo outro filho.
Ela já com a filha nos braços, e com o pequeno gorduchinho aprendendo a caminhar do lado, levantou os olhos para me encarar emocionada, “ Deus me levou meu anjinho, se arrependeu e me mandou dois de uma vez só no lugar dele “.

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1 Comentário

  1. muito triste pra uma mãe que perde um filho mas ela encontrou a alegria de viver Deus lé devolveu a alegria de novo .


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