ESTUDANTES DA UNIPAMPA OCUPAM PRÉDIO DA UNIVERSIDADE.

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Cerca de 20 alunos da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) ocuparam a sede da universidade em São Gabriel. A ocupação iniciou na tarde desta quanta-feira (18/05). De acordo com os organizadores do movimento, a mobilização deverá permanecer até sexta-feira, com os estudantes pernoitando no prédio e realizando atividades na área do Campus, em escolas da cidade e na Praça Dr. Fernando Abbott. A estimativa é de que cerca de 200 acadêmicos se integrem ao movimento.
De acordo com a acadêmica do Curso de Biotecnologia, Barbara Ogata, os alunos são contra os cortes na educação pública estabelecidos pelo governo federal. “Nossa prioridade é tentar evitar o corte de 50% dos trabalhadores terceirizados da Unipampa. Porém nosso movimento não abrange só isso. Com esses cortes não teremos dinheiro, de agosto em diante, para as necessidades mais básicas, como água e luz do campus”, comenta a estudante.
O corte inicial no orçamento era de 50%, após reunião na tarde de sexta-feira (13/05), na sede da universidade em Bagé, a situação foi reavaliada e passou a ser de 44%.
Segundo os alunos, hoje o Campus de São Gabriel possui 31 funcionários terceirizados e mais 9 que trabalham no restaurante. Pelo menos 20 deles serão exonerados dos cargos a partir de julho.
“A UNIPAMPA vem sofrendo com grandes cortes que estão acarretando na demissão de cerca de 50% dos funcionários terceirizados dos 10 campi das 10 cidades onde estão localizadas. Caso esses cortes não sejam sanados, corre o risco de ainda mais terceirizados serem demitidos e consequentemente mais desempregados nas cidades onde a UNIPAMPA se localiza”, comentou o acadêmico Gilberto de Carvalho, um dos organizadores do Movimento em Bagé.
unipampa 2A decisão de paralisar tudo aconteceu em assembleia. Na terça-feira (17/05), os docentes da UNIPAMPA deliberaram em assembleia pela paralisação de três dias, de forma a engrossar o caldo da mobilização unificando estudante, funcionário e professor.
Em Jaguarão, logo no primeiro dia o movimento organizou uma plenária intersetorial com estudantes, terceirizados, técnicos e professores para organizar os rumos do movimento. Ao mesmo tempo em que a reitoria deliberava acerca dos cortes na universidade nesse primeiro dia de ocupação, cortaram a internet do campus Jaguarão como forma de repressão. Mas a resistência foi maior.
Uma série de atividades vem sendo feitas dentro da ocupação, como debates públicos sobre a situação da universidade, da educação pública em geral, da política hoje em dia, oficinas de dança contemporânea, roda de conversa sobre sexualidade e homofobia, plenária com secundaristas em luta. Ou seja, trata-se de uma ocupação que vai para além da pressão contra os cortes, e sim um espaço de experiência de organização política e social.