SAGAZ 24h

ESPECIAL OUTUBRO ROSA: COM APOIO DA FAMÍLIA, ELA “VENCEU” O CÂNCER.

Nilce assumiu e enfrentou a doença com apoio de amigos e familiares. Mesmo trabalhando com cabelo, ela não se incomodou  em ficar careca... “Fiquei linda careca”

Nilce assumiu e enfrentou a doença com apoio de amigos e familiares. Mesmo trabalhando com cabelo, ela não se incomodou em ficar careca… “Fiquei linda careca”

Estudos afirmam que, na maioria dos casos, quando o câncer é detectado, a família acaba ficando mais “doente” que o próprio paciente. É um sintoma que afeta o psicológico de todos os mais próximos das pessoas com a doença.  Por isso, enfrentar o CÂNCER pode ser o melhor remédio. E mostrar que a doença não te deixou doente é o principal argumento na luta contra o Câncer de Mama.
A opinião é a revelação de uma mulher que descobriu o carcinoma quando estava no banho ao realizar o autoexame. A cabeleireira Nilce Maria da Silva, de 50, na época com 47 anos, se deparou com uma doença que ela conhecia muito bem, pois vinha acompanhando a irmã, também cabeleireira, lutar contra os efeitos dela no organismo. A irmã sofreu muito, mas hoje consegue viver a vida normalmente, mas passou a ser dependente dos medicamentos. “O câncer dela é contido. IMG-20141008-WA0002Hoje, o câncer não mata se tu tratares e se tiveres um pensamento positivo e reagires”, explica Nilce.
O exemplo na família fez com que ela adquirisse confiança para enfrentar a doença. “Hoje eu não sei se teria a mesma força. Mas na hora, a postura foi de reação, pois câncer é uma doença que temos que correr contra o tempo”, argumentou.
O marido dela, o advogado e cantor Newton Adriano Fernandes Rodrigues, de 43 anos, viu o mundo vir a baixo. “Ele sentou na cadeira, chorou e ficou desesperado. Para ele, câncer era igual a morte. Ele viu os efeitos com a minha irmã, porque ela descobriu mais tarde, quando já estava avançado”.
Com Nilce foi diferente. Ela ter reagido de forma positiva, definitivamente, foi essencial. No entanto, foi a maneira como ela se apresentou para a família é que refletiu no sucesso do tratamento. “Eu não deixei de trabalhar. Não mudei a minha rotina. Logo depois da primeira quimioterapia, os clientes estavam esperando-me no salão. Isso me deu forças “, comenta.
“O CÂNCER É UMA
DOENÇA SOCIAL, TODOS
FICAM DOENTES”.
Quando a família viu que Nilce estava reagindo bem, eles todos reagiram positivamente. Passaram a dar apoio. A solidariedade da família e dos amigos foi importante.
Certo dia, o marido acordou cedo e disse: “Eu já fiz, agora é a tua vez”. Ele se referia a cabeça raspada, sem nada de cabelo. Em solidariedade a mulher, Newton ficou careca. “Eu tive vontade de matar ele. Eu não queria raspar a cabeça. Ainda tinha esperança de que o cabelo não caísse por completo. Mas ele disse que estava feio daquela maneira, com algumas partes com cabelo e outras não. EU FIQUEI LINDA CARECA!”
Nilce foi submetida a várias sessões quimioterápicas realizadas no Hospital Universitário de Santa Maria. Para se ter ideia, o hospital realiza em média 150 quimioterapias por dia atendendo pessoas de vários municípios do Estado. Existe uma fila de espera. “ Quimioterapia é um horror, as pessoas parecem que estão no corredor da morte. Mas eu enfrentei bem. Ia bem arrumada, com salto alto e com batom. As pessoas não se dão conta que tem que lutar e me olhavam achando que estava louca – ora, essa mulher está morrendo e acha que está numa festa – pensava eu”.
A filha Marina da Silva Rodrigues, de 22 anos, mudou o visual radicalmente. Passou do moreno para o loiro. “Foi uma decisão bem mais difícil do que ficar careca. A minha filha adora o cabelo moreno, mas ela precisava fazer alguma coisa que fosse radical e mostrasse que estava agindo com solidariedade. Isso foi importante pra mim”, disse.
Curiosa, mas também muito significativa, foi a manifestação da amiga Deisi Sangoy, professora da UFSM. “Um dia ela me ligou e disse que estava se preparando psicologicamente para mudar radicalmente o seu visual, mas não tinha coragem. Ela queria me dar apoio e eu disse que não precisa fazer isso, afinal de contas, a intenção dela já era suficiente para me dar forças”.
O câncer de mama é o principal causador de mortes na população feminina do Brasil e uma das doenças mais temidas pelas mulheres, não só pela alta frequência e mortalidade, mas sobretudo pelos traumas e efeitos psicológicos.
Na área de saúde, o mês de outubro é conhecido como Outubro Rosa, marcado pela conscientização sobre a prevenção do câncer de mama. Durante todo o mês são realizados eventos que buscam alertar sobre a necessidade do diagnóstico precoce e os riscos que a doença pode trazer.
Mas se a conscientização é importante, o sistema também precisar ter “consciência” das necessidades dos pacientes. Nilce ainda utiliza medicamentos fornecidos pelo Hospital da Universidade Federal de Santa Maria (ela precisa manter o tratamento preventivo por cinco anos), mas ela só conseguiu combater a doença e vencê-la porque teve recursos financeiros para pagar os exames e agilizar o tratamento.
Lamentavelmente, esta não é realidade de mais de 90% da população alvo. “O meu marido foi correndo para os bancos. Nós conseguimos um empréstimo de R$ 40 mil para poder pagar os exames e a cirurgia. Se não, teríamos que ficar na fila”.
O câncer de mama pode se manifestar de diversas formas, e conhecer seus principais tipos ajuda a compreender melhor o que está acontecendo. O site Mulher Consciente explica que o diagnóstico positivo é sempre uma notícia impactante, mas é importante estar bem informada para conversar com o oncologista sobre as opções de terapias disponíveis e mais apropriadas para o seu caso.

Nilce (centro) com as funcionárias do salão de beleza. Elas participaram da 1º caminhada  contra o câncer de mama realizada pela New Life no início do mês

Nilce (centro) com as funcionárias do salão de beleza. Elas participaram da 1º caminhada
contra o câncer de mama realizada pela New Life no início do mês

OS ABBOTT E A MEDICINA DE SÃO GABRIEL ATRAVÉS DOS SÉCULOS XIX, XX E XXI.

SANDRA LORENZ – especial Jornal O FATO

São Gabriel teve o privilégio de ser o berço e lar de homens ilustres, vultos que se salientaram nas armas, letras, política e na Medicina. Esse período levou um escritor contemporâneo a denomina-lo “Meio Século de Iluminismo Gabrielense “ – 1850 – 1900.
Entre tantas figuras que se ressaltaram, um se destaca acima de todos – Dr. Jonathas Abbot Filho. Médico talentoso, homem de ideias progressistas, que impulsionou a cidade para o futuro.
Nascido na Bahia aqui chegou por volta de 1851, para servir como cirurgião no 1º Regimento de Artilharia a Cavalo. Casou com Zeferina Fernandes Barbosa, vinda de tradicional família da cidade.
A frente de amigos abastados fundou a Santa Casa de São Gabriel em 1855, instituição que atravessa os séculos para chegar hoje atuante como sempre foi.
Idealista, com a cabeça sempre fervilhando funda também, junto a 10 amigos, a Loja Maçônica Rocha Negra em 1873, que tinha como objetivo a libertação dos escravos. No ano de 1884, 4 anos antes da Princesa Isabel assinar a Lei Áurea, São Gabriel libertava a todos os escravos.

Dr Jonathas Abbot Filho

Dr Jonathas Abbot Filho

Entre seus dez filhos, destaca-se o Dr. Fernando Abbott, médico humanitário, jornalista e político. Ingressara na política ao lado de Júlio de Castilhos, Demétrio Ribeiro, Barros Cassal e Assis Brasil.
Após a proclamação da República foi eleito deputado para a Constituição do Governo Provisório, muito se distinguindo  como homem público.
Ocupou o cargo de Presidente do Estado em dois períodos, 1891 e 1893, respectivamente. Promulgou a famosa Constituição de 14 de julho de 1891, criou nessa gestão a Brigada Militar e o município de Júlio de Castilhos.
Na Revolução de 1893 participou ativamente e foi Ministro Plenipotenciário do Brasil na Argentina, onde residiu por um bom tempo.
Por fim veio para sua terra natal, se dedicando exclusivamente à Medicina, realizando curas admiráveis para a época.
No ano de 1914 a cidade agradecida batizou a praça principal com o seu nome, faleceu a 13 de agosto de 1924.
E nada mais justo que prestar homenagem ao descendente destes dois homens, o também Dr. Fernando Abbott Filho, ele que como seus ancestrais amou esta terra, mas amou mais ainda a arte da Medicina.
Em 1980 Dr. Fernando Abbott chega a São Gabriel como anestesista, trazendo um novo contexto à cirurgia gabrielense, pois vinha com novas técnicas anestésicas que modificaram profundamente a conduta das cirurgias, especialmente as pediátricas, contribuiu de forma profissional à modificação do nosso Bloco Cirúrgico, onde viveu diuturnamente até o ano de 2007.
A Exposição “Os Abbott e a Medicina de São Gabriel através dos séculos XIX, XX e XIX”  é uma realização da Associação Médica de São Gabriel em parceria com a Associação Amigos do Museu  e será inaugurada no dia 16, próxima quinta-feira  às 19h e 30min no Museu Nossa Senhora do Rosário Bom Fim.

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A SIMPLICIDADE TRADUZIDA EM AMOR NA VIDA E NA PROFISSÃO DE MANOEL FRANCISCO ASSIS BRASIL MACEDO.

Dr.Manoel Francisco Assis Brasil Macedo com a esposa Laura Macedo em Ilha de Jersey - Inglaterra (Setembro de 2014)

Dr.Manoel Francisco Assis Brasil Macedo com a esposa Laura Macedo em Ilha de Jersey – Inglaterra (Setembro de 2014)

COLUNA “FALA COMIGO, FALA” – Jornal O FATO
Dono de uma paz refletida pelo verde do olhar, pela voz mansa e pela serenidade do rosto. Um homem de fé, que ama a profissão e dedica um enorme carinho aos pacientes, familiares e amigos. Um cidadão comprometido com a história da terra onde nasceu, pois, colabora de todas as formas possíveis, para manter viva, a memória histórica e cultural de São Gabriel. Foi ele quem doou o galo de bronze que em breve, deve estar na cúpula do Museu Nossa Senhora do Rosário Bom Fim, a Igreja do Galo. Para o nosso entrevistado a alegria maior é poder passar pela Rua Andrade Neves e ver o que ele chama de o símbolo do despertar, em seu devido lugar.
Ele faz aniversário na mesma semana, em que é comemorado o dia de sua profissão. O Fala Comigo, fala de hoje propõe um brinde à semana que antecede o Dia do Médico (18 de outubro), com a história do Gastrenterologista Manoel Francisco Assis Brasil Macedo, que aniversaria na próxima segunda-feira (13). Faça parte dessa homenagem! Vale a pena conferir!
Quem Manoel Francisco Assis Brasil Macedo?
Eu me considero uma pessoa extremamente simples, que ama a família, ama a vida e tem uma profunda paixão pela profissão, a medicina. Tenho uma paixão muito grande pela vida no campo. A vida no campo exerce sobre mim um fascínio muito grande. Eu acho que essas coisas me completam: a vida familiar, a vida profissional e a atividade rural.
Qual é a razão dessa identidade com o campo?
Várias gerações da minha família são oriundas da área rural e sempre procuraram valorizar e fazer com que essa vida rural se tornasse uma coisa aprazível e produtiva, tendo em vista a importância social e econômica que esse setor tem, especialmente, para uma comunidade como a nossa que depende muito do setor agropastoril.
Como foram seus estudos na infância e adolescência?
Estudei primeiro no Menna Barreto e depois no Ginásio São Gabriel (Colégio Marista). Nós morávamos na campanha e tínhamos que vir todos os dias pra estudar. Naquele tempo, o uniforme era um avental branco, a gente, acostumado a brincar, andar a cavalo, pescar. Sair disso e vir pro Menna Barreto de avental branco era um “inferno”! conta ele, entre risos.
Como foi sua infância?
A minha família toda é de origem rural. Na minha infância havia certa diversidade, na convivência com meus avós.  No lado do meu pai eram pessoas com recursos, mas viviam uma vida bastante simples, uma vida rural e do lado da minha mãe, tinham uma vida despojada, mas viviam num castelo. Para mim, era um choque que eu achava extremamente interessante, porque a gente saia daquela vida bem rude do campo. Naquela época não havia nenhum conforto, vivia-se a luz de velas, sob a luz de querosene e ia passar a temporada de férias na casa da minha outra avó, no castelo que era e é muito bonito até hoje, em Pedras Altas. Lá tinha luz e conforto, mas apesar de tudo isso, eles eram muito simples e não tinham aquilo como ostentação, e sim, um ritmo de vida diferente. Esse contraste para a minha formação foi muito bom eu via os dois lados.
Castelo? Conte nos um pouco dessa história.
A minha avó era portuguesa. A família dela morava em Lisboa e o pai dela, meu bisavô José Ferreira Pereira Felício, era secretário particular do Rei Dom Carlos, de Portugal, então minha avó sempre conviveu naquele ambiente da corte. Eles moravam numa das alas residenciais do Palácio de Queluz.  E meu avô Joaquim Francisco Assis Brasil, era embaixador do Brasil em Lisboa e quando foi apresentar as credenciais ao rei conheceu a minha avó. A corte estava reunida e ela estava junto, ele se apaixonou por ela e depois se casaram. Então ele disse a ela que faria uma casa para ela morar, como aquela que ela estava acostumada e construiu o castelo de Pedras Altas.
Qual é o significado de família para o Sr.?
Família para mim é a coisa mais preciosa. É importante a gente manter a unidade. Considero-me um homem muito feliz porque eu escolhi uma pessoa que eu amo muito e que me completa muito, na minha maneira de ser, de pensar… É minha companheira 24 horas por dia, a Laura Maria.  São trinta e nove anos de casamento. Temos dois filhos, o Flávio, que é medico veterinário e a Laura Maria, que é publicitária. Dois netos, filhos do Flávio, que são o Gabriel e o Manoel.
O Sr. sente muita admiração pela história de sua família. Além de lembrar, de que forma cultiva esse sentimento?
Eu tive a oportunidade nessa última viagem que fizemos, de conhecer o Palácio de Queluz, onde minha avó morou isso me trouxe muita emoção. Lembrei-me dela contando as histórias de quando conheceu meu avô, falando sobre a roupa de embaixador que ele usava quando se conheceram… Aquela roupa pomposa, e que tocaram o hino nacional brasileiro com o rufar de tambores para recebê-lo. Meu avô se apaixonou perdidamente por ela. Depois dessa missão diplomática em Portugal, ele foi nomeado para ser embaixador em Washington, onde eles estiveram por nove anos e onde a minha avó teve seus primeiros filhos. Conheço a história e sempre que posso procuro subsídios ara poder estar perto dela.
E de seu avô. Quais são as lembranças?
Meu avô foi nomeado, ele e o Rui Barbosa pelo Barão do Rio Branco, para fazerem o tratado do Acre e meu avô se desentendeu com o Rui Barbosa, pois o Rui Barbosa era uma pessoa extremamente inteligente, mas muito vaidoso e meu avô resolveu com um toque de diplomacia, provocá-lo e, em discussão pública disse: “Vossa Excelência é um oceano de sabedoria, mas cujo oceano, eu caminho com a água pelas canelas” O Rui Barbosa se sentiu ofendido e pediu demissão.
O Assis Brasil era muito profundo, era advogado e tinha um largo conhecimento de botânica, agronomia falava Italiano, Francês, Inglês, Espanhol e aprendeu mandarim.
Em que momento de sua vida surgiu o gosto pela Medicina?
Desde pequeno tive vontade de ser médico. Tive influência familiar com dois tios que eram médicos, Amarílio Macedo, um cirurgião muito conhecido, formado na Alemanha, que era irmão de meu pai. O outro tio, igualmente médico foi Dácio Assis Brasil, não sei se foi a influência desses dois tios e a convivência, próxima a eles que despertou em mim esse profundo gosto por essa profissão, que é muito bonita quando a gente gosta.
Como foi sua trajetória inicial nessa profissão?
Formei-me na Faculdade de Medicina de Rio Grande, na segunda turma da FURGS, em 1972. Fiz residência em Porto Alegre, na Faculdade Católica de Medicina e depois, fiz aperfeiçoamento em Gastrenterologia e também em Endoscopia. Tive a oportunidade, ao longo desse período, de fazer vários cursos dentro dessa especialidade, não só dentro do país como fora, estive na Venezuela, nos Estados Unidos, México, Uruguai e na Argentina.
Por que o Sr. escolheu Gastrenterologia?
Desde o Ginásio, sempre fui um aluno que gostava de tirar notas boas. Na faculdade, a única disciplina que eu tirei uma nota ruim foi em Gastrenterologia e, então, estudei muito isso, e esse estudo me deu um profundo prazer em dominar a matéria, tanto que eu optei por essa área. Não foi uma coisa pensada, foi de repente.
Tem algum fato que tenha marcado sua trajetória profissional?
Eu acho que a gente sempre contabiliza muitos momentos bons, eu tive a sorte de sempre ter momentos muito bons, mas tem um que eu não esqueci. Comecei a atuar em São Gabriel em 1975. Naquela época, o médico era muito considerado, muito presenteado, recebia homenagens e eu me lembro de um fato que me marcou muito. Eu atendia um paciente, há muito tempo, tanto que já existia uma afeição muito grande entre mim e a família dele. Ele tinha câncer de próstata e aquela relação durou muitos anos, além disso, ele tinha problemas de pressão, problemas digestivos e dores, eu o atendia em casa. Todos os dias eu ia vê-lo. Quando eu não ia, ele mandava o motorista me buscar. Eu casei e recém-casado, um dia falei pra ele que ia ficar uma semana fora, pra poder ficar em casa, eu nem estava pensando em viajar. Ele então me perguntou: Pra onde tu vais? Eu no ímpeto do momento, disse que iria para o Rio de Janeiro. E ele me disse: Então passa aqui antes, que eu quero falar contigo. Para a minha surpresa, ele me esperou com duas passagens de avião, de ida e volta e as reservas de uma semana de estadia no Copa Cabana Palace. Isso é uma coisa inédita não é? Foi uma mentira inocente que resultou numa viagem (risos)
Com essas experiências em outros países é possível avaliar a diferença entre a saúde pública de uma nação pra outra?
Na Inglaterra, França e em Portugal pelo que vi e pesquisei, todo o sistema de saúde pública é muito eficiente. As instalações são excelentes. Aqui nossos hospitais são muito deficitários, há a falta de valorização profissional de médicos e enfermeiros. Eu acho que o nosso grande mal, é que o profissional não é reconhecido, não só o médico como o professor, o funcionário público. A maioria dos nossos médicos está nos grandes centros e não vem para o interior por não terem uma remuneração condizente com o trabalho. Não há estímulo.
Seus pacientes tem um perfil pré-definido? O Sr. é mais procurado por pacientes idosos?
Eu gosto de atender a todas as pessoas. Exerço a medicina com um profundo prazer. Acredito que a presença dos idosos no meu consultório é casual, mas eu procuro ouvir meus pacientes, e percebo que a 3ª idade necessita de mais atenção.
Quarenta e dois anos de atividade. O Sr. Já chegou pensar em parar?
Minha maior dificuldade é parar, porque eu não consigo pensar nisso. Ainda tenho a mesma disposição do começo. Sempre venho com boa vontade, nunca cansado. Para mim, cada dia é um novo e gratificante desafio.
Além do trabalho e da família, existe alguma coisa que lhe desperta a simpatia?
Sou uma pessoa que aprecia muito a simplicidade eu não ligo muito para roupas, gosto de ser eu mesmo. Gosto muito de coisas antigas, sobretudo, se forem coisas que tragam lembranças de família, isso para mim tem um valor muito grande. Procuro sempre cultivar isso aí. Nem sei se não é um pouco demais…, diz ele, entre risos
Qual é a sua religião?
Sou católico. Acho que a religião é uma coisa muito importante na vida da gente. Eu tive a oportunidade há tempos atrás de ir a Zaragoza, na Espanha ao santuário de Nossa Senhora do Pilar. Depois eu fui ao México, no Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe e fiquei muito feliz de ter ido. Por último, fomos ao Santuário de Nossa Senhora de Fátima, em Portugal. Eu vinha dizendo a minha esposa que precisava de um “banho” de fé. Então fomos agora, eu gostei muito, achei muito bom, estou renovado.
Como o Sr. analisa a relação entre Medicina e Religião?
Eu acho muito bom essa união, entre medicina e religião, pois acredito que isso nos torna pessoas mais humanas, porque a gente pode ver os dois lados, o da ciência e o lado espiritual. São duas coisas que não se podem ser dissociadas.
Além de ser sua profissão, qual é o significado da Medicina para o Sr.?
A medicina é paixão, devoção, sacrifício e muita dedicação. Com o passar dos anos, a agente sente que o organismo não é o mesmo Eu, para poder continuar atuando, resolvi reduzir o horário, eu atendia de manhã e tarde, agora só pela manhã, mas a minha tática não deu muito certo, meus pacientes da tarde passaram para amanhã (risos) finaliza, mais uma vez bem humorado, Manoel Francisco Assis Brasil Macedo.

ROBERTA SCHERER E A PAIXÃO PELA POSSIBILIDADE DE “CONECTAR PESSOAS E REALIDADES”.

FOTO DA CAPA

Sandra Lorenz/ especial JORNAL O FATO
“Conectar as pessoas. Saber que através de um trabalho bem feito, uma pessoa distante fisicamente, socialmente, economicamente de outra, pode conhecê-la de alguma forma”.A definição de Roberta Scherer sobre o encantamento que o Jornalismo exerce foi construída ao longo de sua trajetória. Um caminho ainda curto profissionalmente, mas longo e intenso quando se trata de história de vida.
Desde criança, a comunicação foi uma das características marcantes de sua personalidade. Segundo a mãe, Janaina Reis Scherer, Roberta era a mediadora de desentendimentos entre os colegas na escola: “A Ro não admitia a falta de diálogo. Sempre foi comunicativa e em qualquer lugar que estivesse, encontrava um jeito de conversar com alguém”, conta Janaína.
A tendência à comunicação definida ainda na infância, acompanhou Roberta pela adolescência e na idade adulta. Hoje, ela cursa o 4ª semestre de Jornalismo na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e está conciliando a vida acadêmica com o trabalho. Há pouco mais de três meses, cumpre estágio no telejornalismo do Sistema Brasileiro de Televisão – SBT, na regional do estado em Porto Alegre. “Nunca gostei de rotina, sempre fui curiosa, comunicativa. Com o tempo, a ideia foi amadurecendo e depois de ler sobre bastidores de grandes reportagens, biografias, memórias e de falar com profissionais da área, a ideia tomou forma”, diz Roberta, que define com propriedade o papel social do Jornalismo: “É ser o olho daquele que não pode ver, seja por ignorância, porque não quer ou porque não pode. Acho que o jornalista tem que mostrar o que é bom e o que não é. O que incomoda e o que orgulha. Uma vez fiz uma matéria em uma vila em Porto Alegre, onde os moradores estavam sendo despejados para darem lugar a uma das obras da copa do mundo. Muita gente não sabe disso, muitos não queriam saber, muitos não se importam. Mas, o meu papel é dar voz aquelas pessoas, mostrar que alguém está sofrendo as consequências”.
Durante um tempo, eu acreditei que o bom jornalista deveria estar à margem da história, mas bons conselhos de colegas me fizeram ver, que o olhar de quem conta é fundamental”.
O aprendizado na Universidade e a convivência com a realidade da profissão no estágio e em outras áreas da Comunicação Social, pelas quais, Roberta já passou estão “lapidando” gradativamente uma profissional, que sabe exatamente, os requisitos de um bom jornalista: “Ser jornalista, é ser antes de tudo, um contador de histórias e, como todo bom contador de histórias, se envolve também com o coração. Durante um tempo, eu acreditei que o bom jornalista deveria estar à margem da história, mas bons conselhos de colegas me fizeram ver, que o olhar de quem conta é fundamental”, explica ela.
Roberta deve concluir o curso no fim do ano 2016. Apesar de ter boas perspectivas, ela sabe que ainda precisa vencer muitos obstáculos: “Estudo em uma ótima faculdade, com ótimos professores. A estrutura da faculdade, ao menos no meu curso, é boa. Porém, enfrento problemas como qualquer aluno de universidade pública enfrenta, a carga horária é pesada. Dificilmente alguém consegue trabalhar ou estagiar sem trancar alguma disciplina ou se dedicar um pouco menos, mas estou conseguindo vencer um a um esses obstáculos”.
Para Roberta, o conhecimento acadêmico aliado à experiência do dia a dia é um impulso para o crescimento.
“É bom conhecer a “vida real”. Eu idealizava muita coisa antes de trabalhar de verdade. É bom confirmar algumas convicções e quebras outras. É uma maneira de crescimento pessoal também. Acho que não podia estar mais feliz profissionalmente”, afirma.
“Um jornalista que sabe a técnica, mas não leu, não discutiu. Não experimentou questões éticas, morais, influências, evolução da profissão é um profissional fadado a repetir e não, a inovar”
A NÃO OBRIGATORIEDADE DO DIPLOMA
No dia 17de junho de 2009, o Supremo Tribunal Federal votou com maioria, contra a obrigatoriedade do diploma de curso superior específico para o exercício da profissão de Jornalista. A decisão do STF não desanimou Roberta, que também tem opinião definida sobre o tema: “Já assisti mil discussões sobre o diploma, mil palestras, ouvi mil pessoas com interesses de todos os lados. Acho que a não obrigatoriedade do diploma, tem consequências ruins para a sociedade. Um jornalista que sabe a técnica, mas não leu, não discutiu. Não experimentou questões éticas, morais, influências, evolução da profissão é um profissional fadado a repetir e não a inovar. Existem pessoas incrivelmente talentosas, mas acho que a faculdade, a ciência tem a acrescentar a essas pessoas. Acho que ninguém tem a nada a perder com conhecimento”.
“Conectar as pessoas. Saber que através de um trabalho bem feito, uma pessoa distante fisicamente, socialmente, economicamente de outra, pode conhecê-la de alguma forma”.
FUTURO
A menina que se encanta frente à possibilidade de “conectar pessoas e realidades”, não para por aí. Ela pretende expandir horizontes, buscar mais: “Antes de me formar, ainda quero ter alguma experiência (mesmo que acadêmica) fora do país. Um semestre em outra universidade, um curso de verão, nem que seja um mochilão e um caderninho. Em longo prazo eu ainda não sei. Não penso em ficar aqui no sul, mas depende muito se eu vou continuar em TV, se vou ter oportunidade nisso”.
Para ter acesso ao trabalho de Roberta na telinha é preciso assistir aos flashes do Programa Redação do SBT, que vai ao ar diariamente durante a tarde e também aos domingos.
O INCENTIVO
Na opinião da mãe, ela sempre foi muito decidida. Janaína temia que a filha pudesse estar sob o encantamento da ideia de estar na TV e, antes mesmo que ela ingressasse no curso, fez uma proposta à Roberta. “Pedi que ela fosse em busca e visse o que realmente era ser um jornalista no Brasil, que visse as coisas boas e as ruins, os salários, os locais onde poderia trabalhar. Tentei fazer com que ela tivesse os pés no chão. Dei um mês para que ela apurasse isso tudo. É claro que ela achou que eu imaginava que ela estava escolhendo errado, mas enfim, ela foi atrás de sua escolha e me deu uma aula sobre tudo o que viu e me provou que, realmente sabia o que queria e tinha consciência de que não seria fácil”, conta Janaína que além de ter orgulho é a âncora na campanha de Roberta ao Prêmio Press: “Hoje quando eu peço votos para ela as pessoas nem pensam duas vezes pra responder que votam nela. Logo dizem, ela é querida, é simpática, educada… Uma mãe que ouve isso sobre um filho não tem como não se sentir extremamente feliz”.
HUMILDADE
Janaína deixou claro que a humildade é uma forte característica de Roberta e se emociona ao contar um pouco do dia a dia da filha: “No SBT tem um porteiro chamado Silvinho, um dia fui buscar a Ro e ele me disse: “Como a sua filha é especial, adoro ela”, ela trata a todos com o mesmo sorriso, do chefe  a portaria e com igualdade e isso me dá a sensação que eu acertei na educação não só dela, mas dos meus três filhos, isso é gratificante. Torço para que ela continue exatamente assim, simples, sempre ouvindo as pessoas e ajudando. Assim ela vai chegar onde quiser”.
Na última semana, Roberta foi escolhida na Universidade para participar, de 21 a 24 de outubro de um curso no Jornal Estadão, em São Paulo.  A futura Jornalista gabrielense é filha de Milton Scherer (in memorian) e Janaína Reis Scherer.
PRÊMIO PRESS 2014
A distinção é oferecida pela Revista Press, aos melhores do ano da área da Comunicação no RS. Roberta Sherer concorre na categoria Estagiário de Jornalismo. A votação ocorre em duas linhas, o voto popular e o voto profissional. Para votar, basta acessar o site (http://revistapress.com.br/premiopress2014/votopopular.aspx) e preencher os campos de votação. No campo destinado ao Estagiário de Jornalismo do ano, é preciso escrever Roberta Reis Scherer – SBTRS. A votação será encerrada no dia 31 de outubro.

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