
Uma polêmica no campus da Universidade da Região da Campanha (Urcamp) em São Gabriel culminou com o pedido de renúncia do cargo por parte do pró-reitor Antônio Carlos Bevilacqua, responsável pela administração da unidade. Segundo ele, sua saída ocorreu em função do não cumprimento, por parte da reitoria – que fica em Bagé –, de promessas de campanha que elegeram a atual administração, como eleições diretas e autonomia dos campus. Como protesto e apoio ao pró-reitor, alunos, professores e funcionários deram início a uma paralisação na semana passada, quando ocorreu a renúncia.
Na quarta e na sexta-feira, o grupo fez passeatas pelas ruas de São Gabriel. “Apoiei a reitora Lia Quintana na sua eleição e, entre suas promessas de campanha, estavam a autonomia dos campi e eleições diretas em todos os níveis, e não é isso que está acontecendo. Lia não deu explicações convincentes sobre ter feito os alunos pagarem a mensalidade do campus de São Gabriel por meio de títulos com número de débito de Bagé, fazendo com que a verba ficasse toda lá”, explica Bevilacqua, que, na quarta-feira, esteve reunido com a reitora.
Segundo nota oficial enviada pela assessoria da reitora Lia Quintana, a renúncia do pró-reitor teria sido um equívoco, e as críticas que ela vem sofrendo seriam fruto da falta de informação sobre o estatuto da universidade. Na nota, ela aponta que, para solucionar os problemas pelos quais a Urcamp passa, precisa do apoio de todos.
Entre as alternativas para solucionar a crise, estão o corte de gastos e o pagamento dos compromissos de cada campi. Cada unidade teria de repassar 18% de sua arrecadação para a sede. Por isso, as mensalidades dos estudantes de São Gabriel teriam sido debitadas em Bagé: “O que fizemos foi arrecadar os valores pagos por alunos que estudam em Bagé, mas que fazem seus pagamentos em São Gabriel por morarem lá. O procedimento é regular e rotineiro”, diz um trecho da nota divulgado pelo jornal Diário de Santa Maria.
A VERBA – De acordo com Bevilacqua, o valor que o campus deveria repassar a Bagé seria de 6% (cerca de R$ 18 mil) e já teria sido quitado. Ele ainda aponta que R$ 67 mil ficaram em Bagé e seriam utilizados em São Gabriel para pagar dívidas anteriores e para a folha de pagamento de funcionários. Conforme a nota divulgada pela Urcamp, esses R$ 67 mil seriam de mensalidades de estudantes do campus de Bagé que moram em São Gabriel e pagaram a mensalidade na cidade da Região Central. “Bevilacqua renunciou com razão. Há dois anos, tudo era precário aqui e, quando ele assumiu, as coisas melhoraram. Mas aí, a reitora pegou novamente as mensalidades e não nos deu explicação”, conta Eduardo da Silva Moure, 27 anos, estudante do último semestre de Direito.
Conforme a chefe de gabinete da reitora, Marli Conde Fernandes, a reitora agendou uma ida ao campus de São Gabriel, mas a visita pode não ocorrer em função de uma viagem da reitora a Brasília, onde ela vai buscar recursos para as dívidas da universidade. Caso a reitona não não apareça no campus de São Gabriel, os estudantes pretendem ir em comitiva até Bagé.
Nesta segunda-feira, a Juiza de Direito Julina Neves Capiotti deferiu pedido de tutela antecipada encaminhado pela Defensoria Pública de São Gabriel, determinando que o Campus de São Gabriel receba o pagamento das mensalidades devidas pelos alunos, a maioria com vencimento no dia 21 de maio. A Juiza levou em consideração o possível prejuízo causado aos alunos. Os acadêmicos perderiam os descontos decorrentes de convênios e bolsas de estudos.
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21/05/2012
Categorias: Educação, Geral . . Autor: marciovaqueiro . Comentários: Deixe um comentário